16 junho 2019

Dudu


O ano era 1999. Estávamos quase na virada do século. Minha irmã começou a cuidar de um menininho com os cabelos lisos, cor de ouro, muito meigo e comportado. Cuidava enquanto a Vani, mãe dele, trabalhava. O Dudu tinha 1 aninho. Logo toda a minha família se apegou a ele. Passados apenas alguns meses minha irmã arranjou um emprego em uma loja, então minha mãe passou a cuidar dele.

À medida que o Dudu crescia nós passávamos mais tempo juntos. A gente tomava batida de fruta em cima das árvores, brincava com uma velha máquina de escrever, eu puxava ele numa caixa de papelão, subia no pé de manga-rosa, na casinha da árvore, e muitas outras coisas.

Só de brincadeira eu copiava frases de livros na máquina de escrever e ensinava o Dudu a fazer o mesmo. Um certo dia fiquei muito surpreso quando o Dudu, então com uns 2 anos, apontou em um livro e falou: "satélite"; quando olhei tinha uma figura de um satélite artificial orbitando a Terra, fiquei boquiaberto. Ele sempre foi muitíssimo inteligente e com uma memória sem igual. Ele lembra de quase todas as brincadeiras que a gente fazia.

Eu inventei uma brincadeira, que talvez hoje fosse considerado bullying. Eu perguntava pra ele: “Dudu, e o pescocinho? E ensinei ele a responder: “fininho”. Então eu perguntava: “e a barriga”, e ele respondia: “cheia de água”. Ele era magrinho e tinha uma barriguinha... Até hoje nós rimos muito quando lembramos disso.

Eu desmontava motores e a gente jogava umas chapas de metal em formato de E nas bananeiras atrás de casa. O Dudu saia rolando na terra quando o carrinho de papelão virava. Nessas horas ele ficava bravo, e dizia: “assim não, vou falar pra minha mãe!”.

Foram três anos de muitas alegrias, diversão, aprendizado e ali começou uma amizade pra vida toda. Depois de um tempo minha mãe deixou de cuidar dele e de vez em quando a Vani trazia ele lá em casa. Ele crescia cada vem mais rápido.

Um tempo depois perdemos o contato, pois primeiro mudei de cidade para estudar depois para trabalhar, e o Dudu também seguiu a vida dele. Acho que a última vez que o vi ele tinha uns dez anos.

Então, no dia 22/05/2016, as 18:56 o Dudu me adicionou no FB e mandou uma mensagem: “quanto tempo Fernando”; “saudade de tomar batida lá no pé de árvore atrás do restaurante”; “sou o Dudu”; “lembro de muita coisa quando era menor, tipo pescocinho fininho e barriga cheia de água kkkk”. Eu respondi: “meu Deus, não acredito que é você!”; “nunca ia te conhecer, tu ta muito grande hauhauhau”.

No dia 10/09/2016 fui passar uns dia em Capanema, então marcamos para tomar um tereré na praça e conversar. Eu lembro muito bem desse momento. Enquanto eu fazia o suco de limão o Dudu apareceu lá em casa. Foi uma alegria pra todo mundo. Lembro também da felicidade no rosto dos meus pais ao verem ele. Foi uma surpresa ver que ele estava maior do que todos nós... Mas foi como se a gente nunca tivesse perdido o contato. O Dudu continuava aquele menino inteligente, simpático, alegre e com uma memória incrível. É sempre muito bom estar com ele.

Daquele dia em diante toda vez que visito meus pais a gente combina para fazer alguma coisa, tomar tereré na praça, no Titus, no Ginásio, pela cidade toda, fazer uma fogueira, ver a lua, conversar e principalmente, viver!

Um tempo depois eu estava em uma fase ruim, muito estressado por causa do trabalho, então fiquei em casa (em Capanema) por 4 meses. Foi muito bom ter o Dudu por perto, pois os verdadeiros amigos, mesmo sem querer, ajudam um ao outro. Foi um período muito bom!

Tenho certeza que nunca mais perderemos o contato. Temos muitos tererés para tomar, muitas coisas para lembrar e para viver.
Dudu, que sorte eu tenho de ter te conhecido com 1 aninho e que bom que você me mandou aquela mensagem em 22/05/2016. Sou eternamente grato por isso.

18/02/2019

30 janeiro 2019

Quando o Corpo Fala... Sozinho!


Quem já leu "O Corpo Fala" sabe o quão importante são nossos gestos e posturas, principalmente durante uma conversa. Mas nesse post não falarei de posturas corporais durante conversas, isso já foi feito no livro. Falarei de minhas experiências "extrassensoriais". Calma, a palavra está entre aspas! Isso porque não costumo sair do corpo. Ééé uma vez bebi absinto... mas é outra história! Nessa postagem contarei histórias de quando o corpo reage quase que sozinho...

As vezes dá #Fail no cérebro e fazemos coisas sem controle do Sistema Nervoso Central. Só pode! É a minha teoria para explicar gestos e falas sem sentido aparente, que as vezes, quando estou nervoso, acontece. Em momentos de nervosismo o Sistema Nervoso Periférico, com seus reflexos impensados e gestos motores automáticos, toma o controle. Tinha uma comunidade no orkut relacionada com esse "fenômeno": Medo de confundir os dedos (já está fora do ar). Vai que eu vou fazer um sinal de OK e mostro o dedo médio? Inacreditável né, mas acontece! E pela comunidade, isso aconteceu para boa parte dos 13.135 membros, o restante AINDA está só com medo. Pelo menos não estou sozinho nessa! Parece que o fenômeno tem que ser mais estudado... Dica para dissertação de mestrado. 

Certa vez, na faculdade, chegamos na casa da Lari para jogar truco e tomar tereré. Como sempre ela estava conversando com a mãe pela WebCam. Normal, a mãe dela já estava acostumada com gente chegando e fazendo bagunça... No meio das conversas e brincadeiras resolvi fazer sinal de OK para quem estivesse na Web. Mas quando estiquei o braço, comecei a organizar os dedos para um belo OK... #Fail! Falha no sistema! E sem controle nenhum da minha mão naquela fração de segundo, o meu dedo médio... já sabem. Depois dessa entrei naquela comunidade do Orkut...
Só torci para a mãe dela não ter visto, se fosse outra pessoa Foda-se.