07 março 2016

Em Má Compreensão


Segundo o Dicionário Aurélio, incompreensão significa... falta de compreensão! E eu esperando algo a mais para começar esse post... Mas tudo bem! O importante é que todo mundo já foi incompreendido alguma vez na vida. A incompreensão é uma lei que rege o universo do mesmo modo que as Leis da Termodinâmica: não dá para escapar delas.


Ser incompreendido as vezes é bem engraçado, rola um humor na conversa e depois você se explica (ou não). Essa é a parte boa, mas também tem a parte ruim e, segundo o Samuel Rosa, tem outra, pois "tudo tem três lados" (Skank, 2000).

Mas vamos falar da parte ruim, que é quando você está dialogando com alguém e por algum motivo você diz algo, ou faz algum gesto, que não é compreendido pelo interlocutor. Isso pode ocorrer por vários motivos: nervosismo, porque você espera que a pessoa entenda alguma referência, ou a ironia, ou a piada que você contou, ou qualquer outro motivo. Você sabe que foi incompreendido, você sente isso; você sente o clima, a reação das pessoas.

Eu já fui e sou muito incompreendido. Em diversas conversas com minha namorada, com amigos, ou no trabalho, eu percebo que as pessoas não estão me entendendo. Talvez eu deva me expressar melhor (provavelmente). Outras vezes faço alguma referencia à uma conversa ou acontecimento recente, esperando que eles entendam a ligação, então fico no vácuo, pois ninguém entendeu nada. 

Mas tudo isso é normal, porém algumas vezes as coisas são piores, como aconteceu comigo. 
 
Certa vez no 1º ano do Ensino Médio, na aula de Física, a professora (Clarisse é o nome dela) pediu para os alunos lerem um texto. Eu, como todo mundo, comecei a ler o texto tranquilo. Logo o meu amigo Elizandro pediu para ir ao banheiro. Como sempre, ele aproveitou para fazer uma gracinha: eu estava inclinado com a perna um pouco esticada fora da carteira, e quando ele passou fingiu que eu estiquei a perna de propósito, então fingiu que tropeçou. Estava toda a sala quieta, lendo, e ele falou: "pô professora, o piá aqui fica passando tranca na gente", e saiu. Eu não dei atenção nenhuma para a brincadeira pois achei que todo mundo havia percebido que ele estava brincando (e que todos conheciam ele, vivia brincando assim); então apenas levantei a cabeça, olhei para a professora e balancei, tipo "nã nã nã, esse Elizandro!" E ficou por isso, todo mundo continuou quieto, lendo o texto.

Quando a leitura do texto acabou a professora começou a me xingar descontrolada! Falou que eu era cara de pau para passar uma "tranca" e depois fingir que não tinha feito nada. Falou que viu eu esticando a perna, que eu não tinha vergonha... E toda a sala quieta, e ela me xingando gratuitamente. 

Foi tão inusitado que no começo eu fiquei sem saber o que falar ou fazer, fiquei boquiaberto. Enquanto ela estava disparando aquele palavreado injusto, o Elizandro entrou na sala. Nesse momento eu comecei a tentar me defender, falando que ele tava brincando, que eu estava quieto lendo, que não tinha feito nada... Olhei para o Elizandro e ele estava rindo, pois não estava entendendo também. Mas o desgraçado não falou nada! Nessa altura eu estava pensando seriamente em pegar a cadeira e jogar na cabeça daquela mulher! O escândalo que ela fez foi tanto que não escutou nada do que eu havia dito para explicar o ocorrido... Ela não havia entendido absolutamente nada! E não havia me escutado ou me dado a chance de explicar a situação. 

Quando lembro dessa história ainda sinto raiva, e aquele senso de injustiça e incompreensão.

No final do xingamento, não tive coragem de jogar a cadeira na cabeça dela e achei melhor não discutir mais... Ficou por isso mesmo. 

Se eu fosse menos tímido talvez teria ido falar com ela, teria ido até a secretaria, teria feito justiça, ois foram xingamentos injustos, que me constrangeram muito, me irritaram, me deixaram com raiva. Até hoje fico indignado por eu não ter feito nada.

E a história acaba assim mesmo, sem um final feliz. Mas ficou uma lição: se quisermos justiça, compreensão ou um final feliz, temos que fazer isso acontecer, sempre. Nada cai do céu, temos que fazer as pessoas entenderem, nos entenderem.

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