13 janeiro 2011

Ninguém tem o direito de não ser ofendido - Philip Pullman

Philip Pullman é o autor da trilogia Fronteiras do Universo (A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar). A série já ganhou vários prêmios de literatura no mundo e A Bussola de Ouro foi para o cinema em 2007. Falando um pouco do filme, ele teve um final inconclusivo, que só fará sentido se o segundo capítulo for produzido. Na verdade o final do filme foi filmado mas ficou de fora do primeiro filme com o intuito de fazer parde do inicio do A Faca Sutil. Os fãs esperam ansiosos pela continuação. O problema é que os resultados foram medianos, tanto entre os críticos, entre os fãs e nas bilheterias. E agora fica a dúvida: Investir o que não se ganhou para continuar a história nos cinemas ou lançar o filme "inteiro" nos DVDs. Já estamos em 2011 e não aconteceu nada, uma pena... Alguns boatos dizem que não vai sair continuação mesmo, assim quem quiser saber o final terá que ler os livros, que, diga-se de passagem, são infinitamente melhores do que o filme...

Agora, deixando a trilogia de lado, Philip Pullman possui muitos outros livros menos conhecidos, publicados. O mais recente (2010) é O bom homem Jesus e o salafrário Cristo. É um romance ficcional que conta a história de um brilhante cético que contesta a dogmática cristã tradicional a respeito de Jesus. A história faz referência à idéia de que a figura religiosa sobre a qual se construiu o cristianismo teria sido em grande parte inventada pelo Apostolo Paulo, em contraste com o personagem histórico Jesus e sua filosofia original. 

Para quem não sabe o Apostolo Paulo foi o primeiro a pregar e disseminar o cristianismo, sob o argumento que Jesus apareceu para ele e o instruiu a fazer isso. Sem ele, certamente o Cristianismo não existiria. Ele viveu trinta anos depois da suposta morte de Jesus e foi o primeiro a escrever (e muito) sobre o assunto. O que chegou até nós foi nada menos do que 60 mil palavras, que compõem o evangelho de Paulo.  Nele, Paulo não fala nada sobre milagres, Reis Magos, Virgem, Ressucitação, Belém, andar sobre aguas, crucificação, etc. Essas coisas apareceram muito depois, com os outros apóstolos que viveram a 70, 100, 150 anos depois de Paulo. o Apostolo Paulo nem sequer possuia consciencia de que Jesus poderia ter vivido. Ele fala o tempo todo como se Jesus nunca tivesse caminhado sobre a Terra ou existido como forma humana. Tudo isso pode ser encontrado no documentario independente de Brian Flemming O Deus Que Não Estava Lá. É neste sentido que Pullman desenvolve sua narrativa, alguém desvirtuou a real história. Mas no livro, ele dá como certa a historicidade de Jesus, pois precisa de alguem real que tenha pregado e colocando Paulo, ao invés dos outros apóstolos, como o "vilão", alguem que teria desvirtuado a real filosofia ensinada por Jesus. Neste sentido, o cristianismo é uma farça inventada pelo Apostolo Paulo. Sinceramente isso é verdade, mas não exatamente como narrado no livro... pois ele é ficcional. Por exemplo: Pullman, um ateu militante, não acredita que, com toda certeza, Jesus teria existido, da mesma forma que não acredita (com toda certeza hehe) que toda pessoa tem seu daemon, como na sua trilogia Fronteiras do Universo. Ele monta a narração, como Dan Brown montou a trama do Código Da Vinci: usando fatos misturados com ficção. Como todo best seller polêmico, é só questão de tempo até sair titulos se aproveitando da popularidade do livro. Eu até cheguei a ganhar de presente o Desvendando o Código Da Vinci. Ja imagino um título: Verdades e Mitos do Bom Homem Jesus e o Salafrário Cristo. Ou A Farsa do livro O Bom Homem Jesus e o Salafrário Cristo. Religiosos irão escrever livros mais irados, como O Bom Homem Jesus e o Salafrário Pullman... Se alguem usar esses títulos ja aviso que vai ter que me pagar os direitos autorais (rs).

Mas para muitos cristãos tudo que escrevi aqui, incluindo o titulo do livro de Philip Pullman é mui ofensivo. Em relação a isso, o proprio Pullman comenta, no vídeo abaixo. Por enquanto cito Idelber Avelar caso alguem confunda critica, e liberdade de expressão com preconceito: Ideias não foram feitas para serem 'respeitadas'. Ideias foram feitas para serem debatidas, questionadas, copiadas, circuladas, disseminadas, combatidas e defendidas, parodiadas e criticadas. De preferência com argumentos. Seres humanos merecem respeito. Pregação contra o que seres humanos são, por sua própria essência e identidade (gênero, raça, orientação sexual) não pode ser confundida com sátira antirreligiosa. A maioria dos carolas adora confundir sátira antirreligiosa com ataque misógino ou homofóbico. Não entendem que sua superstição é, essa sim, uma opção."
 

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