27 janeiro 2011

Não sou Católico...

...nem Budista, Islâmico, Judeu, Hindu, Animista... Enfim, não sou religioso e não creio em nenhum deus. Em um país laico tenho o mesmo direito de ser Ateu que qualquer um tem de ser Espirita, Macumbeiro (sem ofenças) ou politeísta. Cada um crê no que quiser ou não crê como é meu caso.

Porque não sou religioso? 90% da população mundial não compreende meu ponto de vista, o ponto de vista de quem não segue (nem consegue seguir) uma religião, seja qual for. Mas ao contrario dos religiosos, eu não compreendo como alguem pode ser religioso. Como é possivel escolher uma religião, entre milhares? Todo mundo sabe que cada uma possui suas regras, seus deuses, seus dogmas e crenças, mas tambem é lógico que apenas uma pode ser a correta, se existir a correta; apenas uma diz a verdade ou todas estão erradas! Eu fico com a mais óbvia, a segunda opção.



Mas na verdade temos poucas escolhas em relação à qual religião seguir. Nascemos e somos obrigados (doutrinados) à aceitar a religião de nossos pais e, na esmagadora maioria das vezes, do lugar onde nascemos. Por algum tempo achamos que é a única religião que existe. Mas é puro acaso. Se eu tivesse nascido em uma familia mais religiosa e sofresse menos influencias de livros de história ou de divulgação cientifica que me ensinasse o ceticismo e o método cientifico, provavelmente seria um religioso fanático. Do mesmo modo, se tivesse nascido na Arabia Saudita seria um Islâmico convicto (e tambem, se não fosse, estaria morto pela lei da Apostasia). Ninguem nasce Cristão, Muçulmano ou Judeu, todos somos muito novos para escolher. Então nos empuram guela à baixo suas doutrinas. Épossivel fazer uma fraca analogia com times de futebol. Ninguem nasce Flamenguista ou Tricolor. A criança nasce filho de pais flamenguistas, tricolores etc.; e a medida que se desenvolve é ensinada a gostar daquele time, a acha-lo o melhor, a discutir e até brigar com outras pessoas em defesa dele, e assim dar orgulho à seu pai e à nação de torcedores... Isso é uma descendencia vertical e nesse quesito o futebol é uma boa analogia com a religião.



Mas religiões são muito mais perigosas do que torcida organizada. Milhares de pessoas ja morreram por questões politicas, mas muitos milhares de milhões morreram por questões religiosas. Isso decore do fato de as religiões serem consideradas "sagradas", prometendo vida eterna, uma pós-vida cheia de prazeres eternos etc.; se isso não é algo que valha a pena matar ou morrer (se fosse verdade) então não sei o que mais seria...

Mas se tivessemos a oportunidade de realmente escolher uma religião, qual escolheríamos? Para começar, levariamos a vida toda para analisar todas as religiões existentes e que já existiram. Geralmente as religiões que não possuem adeptos são chamadas de Mitologias e são tão ou mais ricas em histórias ficticias do que as atuais. Mas qualquer pessoa que tem a oportunidade de escolher entre religiões, provavelmente sabe que todas elas possuem a mesma probabilidade de estar corretas. Afinal, todas as religiões possuem as mesmas "provas" de que são verdadeiras. Qualquer pessoa integrante de qualquer religião possui a maior certeza do mundo de que a sua religião é a unica e verdadeira e são expostos pelos mesmos argumentos: milagres, curas, aparições, sonhos, histórias fantásticas, céu, felicidade eterna, etc. Dessa forma um Islâmico possui a mesma probabilidade de o que está escrito no Alcorão ser verdadeiro, do que um Cristão, Hindu ou indígena tem de seus livros ou histórias sagradas serem verdadeiras. 

A única grande diferença entre todas as religiões é justamente a existência de muitas com livros sagrados e outras totalmetne orais, como as religiões Ameríndias, Africanas e Oceânicas. Mas toda cultura dominante acredita em religiões com dogmas organizados em livros sagrados. Isso é bem óbvio porque as civilizações que inventaram a escrita possuem maior poder de divulgação de suas idéias e de sua cultura do que as outras. E estas dominaram e suplantaram as civilizações mais "atrasadas".

Mas alguns podem falar que mesmo que nenhuma religião esteja totalmente correta todas chegam á Deus. Agora chegamos em um assunto mais profundo; mas com maiores problemas. Para a ciencia é impossivel a existencia de um ser que sempre existiu, veio do nada, e criou tudo. Isso é impossivel! José Saramago traduz isso em perguntas: “Deus sempre existiu? O que é sempre? Deus criou-se a si próprio para depois começar a criar o universo? Onde é que estava deus quando criou-se a si próprio? E como é que alguém se cria a si próprio? Do nada, passando do nada ao ser? Se o nada existiu, tudo que veio depois estava contido no nada. Mas se estava contido no nada, então o nada não existia.” O mundo viveu sem culturas que inventavam divindades por mais de 99,999999999% do seu tempo de existencia. Neste sentido, a crença em deuses passou a "existir" á pouquissimo tempo, com o desenvolvimento de culturas humanas. Eu não entrarei em assuntos já acabados, como a idade do planeta Terra e a evolução biológica. Tirando detalhes, estes assuntos já são amplamente aceitos na comunidade cientifica como fatos. E olha que para uma teoria chegar ao status de fato tem que ser testada e retestada milhares de vezes. Veja: teoria.

Mas a responsabilidade de provar que deus não existe não fica á cargo de quem não acredita, mas sim de quem afirma na sua existencia. Por exemplo, se eu disser que doendes existem, sou eu que tenho que provar isso. É impossivel alguem provar a inexistencia de algo que não existe. Nas palavras de Daniel Dennett, “Não posso provar que deus não existe, mas também não posso provar que cogumelos não poderiam estar em espaçonaves intergalácticas nos espionando”. Dessa forma, a ciencia não pode provar que deuses não existem, ou fadas, doendes, etc., mas pode demonstrar a sua impossibilidade e sua total improbabilidade. Mas porque a ciencia não pode simplesmente falar que tal e tal coisa nao existe? Porque o método cientifico foi concebido para não ser dogmatico. Quem diz que algo existe ou não existe e pronto são as religiões. A ciencia é muito mais cautelosa, e quando erra reconhece o erro como um avanço: "pelo menos descobrimos que aquilo estava errado... (Carl Sagan)".



Mas se Ateus não acreditam em deus, acreditam no que então? Em tudo, na vida, em um mundo melhor, na beleza do Universo... menos em algo que não existe, porque é inutil acredital em algo que não existe. Falando nisso, a palavra "crer" significa, de acordo com o dicionário Aurélio: 
1.Ter por certo ou verdadeiro; acreditar.
2.
Aceitar como verdadeiras as palavras de.
3.
Julgar, supor.

4.
Crer (3): Cria-o honesto.

5.
Ter fé: crer em Deus.

6.
Ter fé ou crença (sobretudo religiosa).
 

Eu uso a palavra crer no sentido de supor. Eu nunca uso no sentido de "com certeza". Como posso ter certeza de algo se a única "prova" de que aquilo existe é a minha vontade de aquilo existir? Isso se chama fé, e é algo inventado por algumas religiões para sempre se dar bem: se algo funciona é por causa da fé, foi Deus que atendeu suas preces, se não funciona é porque a fé não foi suficiente. E só funciona em casos perfeitamente normais, como uma simples coincidencia ou algo totalmente explicado cientificamente. Eu acredito em muitas coisas, mas tudo com uma enorme probabilidade de ser verdadeiro ou com muita vontade de tornar aquilo verdadeiro. Eu faço acontecer, se não consigo não coloco a culpa em Deus, "Deus não quis, não era pra ser". Essa é uma visão ridicula e extremamente pobre da vida e do Universo.


Quem não é religioso é satanico? Fiz essa pergunta retórica porque á escuto muito. É tão absurda que chega me dar enjoo. É óbvio que se eu não acredito no Cristianismo tambem não acredito em toda sua mitologia, incluindo o inferno e o Diabo ou Lúcifer ou qualquer outro personagem de outras ficções como Sauron do Senhor dos Anéis.

Eu gosto de escrever para o blog sempre que me irrito com absurdos e ignorancias... Mas esse é um assunto muito vasto para eu ficar escrevendo e escrevendo, então quem quiser esclarecimentos neste assunto "delicado" para muitos e surpreendentes para outros, pode comprar os livros indicados abaixo:

Deus, Um Delirio - Richard Dawkins.
Carta A uma Nação Cristã - Sam Harris
O Fim da Fé - Religião, Terrorismo e o Futuro da Razão - Sam Harris
História do Ateísmo - George Minois
Quebrando o Encanto - A religião como fenómeno natural - Daniel C. Dennet
Tratado de Ateologia - Michel Onfray
Em que crê quem não crê? – Diálogo sobre a ética no final do milénio - Umberto Eco / Carlo Maria Martini
Deus não é Grande – Como a religião envenena tudo - Christopher Hitchens
Ética Prática - Peter Singer
Religião – Tudo o que é preciso saber - Karl-Heinz Ohlig
Elementos de Filosofia Moral - James Rachels
Deus e os Filósofos - Keith Ward
Mentiras Fundamentais da Igreja Católica - Pepe Rodríguez 
A Bíblia - Desconhecido