29 julho 2010

Naston

A cidade não era muito famosa, a maior parte das pessoas daquele pequeno país à desconhecia. Apesar disso, via-se nas redondezas repórteres de emissoras importantes fazendo o seu trabalho. Talvez estivessem ali para mostrar suas belas alamedas, as mais bonitas entre todas as cidades do lado oeste, e noticiar como o lugar era pacato. Chamada Naston, surgiu em uma planície ao pé de uma pequena colina que, proporcionalmente com a altitude do terreno ao seu redor, parecia bem alta. As pessoas daquele lugar não importavam-se muito com os acidentes geológicos do terreno, incluindo a planície onde estavam inseridas. Às vezes quando o pequeno rio subia e alagava algumas ruas, atribuía-se fatores divinos para o ocorrido ou outra coisa do tipo. Fazia-se o mesmo com alguns temporais, mas só com os mais desastrosos. Apesar desses fenômenos naturais, geralmente o clima em Naston era muito agradável, a temperatura no verão se mantinha quente mesmo durante as noites, isso ajudava a tornar as noites de verão as mais lindas que alguém pudesse imaginar. O clima era agradável ao ar livre, porém em lugares fechados tornava-se um tanto desconfortável. Este fato talvez explique os baixos índices de criminalidade em que a cidade se mantinha, afinal todos conversavam em frente a suas casas, ao relento, até de madrugada.

Sofia estava em seu quarto, um lugar muito agradável, com vários pôsteres colado nas paredes; alguns evidenciando problemas ambientais, outro mostrando as estradas e países vizinhos; e havia o que Sofia elegeu como o mais belo de todos, por isso colou-o na parede ao lado da janela, longe de cada raio de sol que poderia danifica-lo. Era um mapa de astronomia. Mostrava as constelações e tinha infográficos explicando e mostrando os planetas, estrelas, quasares, buracos negros e a Via Láctea. Perto da porta de seu quarto, que ficava no lado oposto da janela, estava uma estante de livros; em frente dela a cama; ao lado a escrivaninha onde estudava e na frente dela um sofá de dois lugares que colocara ali para ocupar o espaço vazio e proporcionar conforto em suas leituras. Sofia gostava de ficar deitada em seu sofá ouvindo musica ou lendo, e de vez em vez refletia olhando para fora da janela, onde dava para ver as estrelas formando uma áurea ao redor do contorno da velha mangueira, plantada por alguém da família. As folhas da antiga árvore balançavam com o vento, tocando umas às outras levemente, produzindo uma música que enchia Sofia de um sentimento inexplicável. Era um sentimento de reverencia à natureza, algo que a fazia contemplar todo o mistério e a beleza das coisas naturais. Nesse momento o sofá tornava-se obsoleto, desnecessário em preencher qualquer vazio, e se transformava em algo que roubava sua liberdade. 

Nesse instante Sofia saiu de seu quarto pulando a janela, era a forma mais rápida para escapar daquele lugar, que agora se tornava sufocante. Logo abaixo de sua janela havia um piso, onde Sofia pisou descalço e sentiu um calor reconfortante: era a energia térmica que não dissipara completamente, uma lembrança do dia ensolarado recém passado. Sentiu no rosto o vento que empurrava as folhas da Mangueira, descobrindo que o que via do sofá era real e mais emocionante do que qualquer coisa que havia lido antes. O vento parecia que acariciava-lhe o rosto, passava pelos seus cabelos e zunia bem baixinho em seu ouvido. O som da liberdade! Olhou para o céu, estava tão estrelado que teve a sensação de estar imaginando seu pôster. Seus primeiros passos em direção á rua foram feitos quase que automaticamente, sem perceber o espaço-tempo. 

Quando se deu conta estava na alameda que passava em frente á sua casa. Olhou para frente. Não conseguiu ver o final da rua, ela era formada por centenas de árvores que se fundiam em sua parte superior formando arcos por toda sua extensão. Quando o vento aumentava um pouco Sofia conseguia ver uma luz no final daquele túnel vivo. Era o céu distante dali. Nunca havia ido até o final daquela rua, sempre estivera em seu sofá. Ficou imaginando se lá era tão bonito quanto parecia de longe. Por impulso começou a caminhar naquela direção. Enquanto caminhava, algumas folhas caiam das árvores e o vento as rodopiavam em seus pés. Sua roupa estava balançando com o vento, sentia pequenos ciscos batendo em seu corpo. Sentia uma espécie de coragem misturada com alegria e um tanto de admiração por todo o universo ao seu redor. Desejava caminhar por toda a eternidade naquela espécie de epopéia. Passo após passo foi se aproximando do final da rua. O local que Sofia estava neste momento era iluminado por luzes de alguns postes e casas localizados nas bordas da alameda. Mas o que estava iluminando aquele céu no final do túnel? Sofia se perguntava, curiosa. Olhou para o céu à cima de sua cabeça, havia menos estrelas desde quando estava em seu quarto. 

Quanto mais Sofia caminhava mais aquele céu ficava maior e mais claro, e sua admiração aumentava na mesma proporção. Já estava quase chegando quando ouviu alguns passos vindo do seu lado direito. Com um sobressalto sentiu algo encostar em suas pernas. Virou o corpo bruscamente. Por conta do movimento apenas viu vultos. Seu coração disparou. Sentiu uma leve vertigem. Então ouviu um ronronar! Sorriu de alivio. Era um gato negro como a noite, um dos animais mais adorados por Sofia. Ela realmente gostava dos bichanos. Talvez por ouvir as histórias de que eles eram venerados como Deuses no Egito Antigo, mas também por seus olhos refletirem a luz, coisa que a deixava admirada. Os olhos do felino pareciam estrelas seguindo Sofia, que já estava no final da alameda. 

A rua que caminhava acabava ali. Assim como a cidade, que ficava para atrás. A partir dali o terreno era um pouco mais baixo, dando para contemplar á leste, no horizonte, uma espécie de clarão. Sofia pensava que eram as luzes de uma grande cidade das redondezas. Na direção norte havia a colina, vista por toda a cidade mas ignorada por todos. Esse morro era coberto por gramíneas, arvores esparsas e alguns rochedos. A partir dali a alameda continuava por duas estradas de terra que iam em direções opostas. Um dos caminhos levava até aquele pico, algo grandioso que se erguia em meio àquela planície. 

Sofia olhou para atrás, tentava ouvir as pessoas conversando em frente às suas casas. A noite estava encantadora. O vento morno a empurrava á diante. Porque aquela colina é a única nessa planície? Como ela se formou? O que posso ver lá de cima? O que há depois dela? Sofia realmente queria respostas. Continuou caminhando... 

Sentia o calor vindo da terra, a Via Láctea desaparecendo sobre sua cabeça. Deixava para atrás as luzes da cidade com todas aquelas pessoas desprovidas da sensibilidade da vida, apenas sobrevivendo sem liberdades, desinteressadas pelo universo e seus segredos, pessoas sem perguntas nem respostas. No meio da reflexão Sofia percebeu que estava no pé da pequena elevação. Começou a escalá-la. Na verdade tudo que tinha que fazer era subir andando pela grama, passo por passo até chegar ao topo. Sofia fez isso sempre olhando para á frente, com a certeza de que seria recompensada com uma grande visão. 

Alguns instantes e já encontrava-se no topo. Um pouco cansada da subida, virou-se para o sul. Por alguns instantes não acreditou em seus olhos. Realmente era uma grande surpresa! Sofia admirou-se com todo o mar de luzes de Naston. Simplesmente a coisa mais bela que tinha visto. Sentou em uma rocha, o vento ali em cima era mais forte e incrivelmente mais quente, assim como a grande rocha que estava lhe dando apoio. Respirou fundo, sentiu o odor que vinha de lugares longínquos. Ficou admirando toda a cidade lá em baixo e pensando na sua sorte em estar ali em cima. Sofia se inclinou na rocha para olhar o céu noturno. Percebeu um pequeno satélite artificial passando; acompanhou-o com os olhos. Estava indo na direção leste. Mais um pouco e foi necessário virar a cabeça. Percebeu, então, que o clarão que havia visto anteriormente, naquela direção, estava maior. Olhando para ele e tentando deduzir o que significava, algo grandioso aconteceu. A lua começou a nascer no horizonte! A maior e mais linda lua cinza-alaranjada que alguém tinha visto. Tudo aquilo que vivera foi apenas uma preparação para o mais lindo dos acontecimentos, algo sublime que Sofia nunca havia presenciado. Sofia então percebeu todas as coisas que estava alheia presa em seu mundo, apenas olhando da janela. A Lua estava nascendo em seu perigeu, ponto mais próximo da terra. O grande astro iluminou toda a terra visível, Sofia então viu sua sombra, encostou em uma grande arvore e passou a contemplar todos aqueles eventos em absoluto silêncio, quebrado apenas pelo vento soprando nos galhos... 

Ei Sofia, sai desse quarto e vem ajudar a fazer o serviço! Já vou mãe...

15 julho 2010

O Argumento Da Definição Do Termo.

O que é uma Teoria?

Muitas pessoas ao discutir sobre teorias científicas ou falar sobre ciência em geral, tem o costume de menosprezar alguma "teoria" pelo motivo de ser "apenas uma teoria"! Isso indica um desconhecimento da definição do termo teoria usada no meio acadêmico, que é diferente da usada no cotidiano.

Diariamente quando falamos que temos uma teoria para explicar alguma coisa, geralmente ela não é suportada por evidências e experimentos, simplesmente é uma hipótese, um "achismo". Cientificamente, "teoria", engloba um arcabouço de idéias lógicas de acordo com as já estabelecidas leis da natureza, evidências e experimentos ciêntificos.

A teoria é construída através da observação de fatos. Sendo assim, teoria é um modelo lógico e consistente que descreve o comportamento de um dado fenômeno natural ou social. Nesse sentido, uma teoria é uma expressão sistemática e formalizada de todas as observações prévias, que são previsíveis, lógicas e testáveis. Em princípio, teorias científicas são sempre tentativas, e sujeitas a correções ou inclusão numa teoria mais abrangente.

Quando a "teoria" passa a ser fato?

Toda teoria cientifica válida tem sua existência confirmada e reforçada por milhares de observações e experimentações. Mas essas observações e experimentações não tem fim, sempre é possível avançar mais no entendimento de algum fenômeno. Sendo assim, ela é considerada a mais provável. O método científico foi concebido para evitar ser dogmático e minimizar os erros humanos por preconceitos, orgulho, vaidade, etc.. Então, desta forma, é anti-científico falar que essa teoria está 100% correta, mesmo não existindo nenhuma evidência contrariando-a; se realmente existir a teoria será revista e modificada.

Apesar disso, existe muitas verdades absolutas na ciência. Por exemplo: quando começou-se com a hipótese de que a terra é "redonda", essa idéia não passava de uma hipótese. Mas depois de muitas evidências, experimentos e comprovações passou-se a ser uma teoria. Como nunca surgiu uma evidencia contra esta teoria e até o homem já foi ao espaço conferir com os próprios olhos, ela já é considerada um fato. Na verdade, extritamente falando, a Terra possui um formato chamado geóide. E como os números são infinitos não existe um número exato do coeficiente de circunferencia da Terra; sempre é possível usar mais casas decímais para a medição, isso só depende da evolução dos equipamentos de medida. Desta forma nunca saberemos o formato exato da Terra. Mas isso não muda nada na nossa forma de compreender o universo. Ninguem deve perder o sono com isso, nem viver pensando que existe a chance de a Terra ser chata ou quadrada, por exemplo.

Outro exemplo é a Teoria da Evolução. Se alguém pensa e fala que a teoria da evolução é só uma teoria, que o próprio nome já diz que não foi comprovada ainda, essa pessoa não possui compreensão suficiente do assunto nem sobre ciência. Usei o exemplo da evolução, porque é a "teoria" mais atacada com o Argumento Da Definição Do Termo.

Podemos falar em Teoria da Gravidade do mesmo modo que em Teoria da Evolução, e mesmo assim ninguém vai duvidar da existência da gravidade. A gravidade existe do mesmo modo que a evolução, a única diferença é que a evolução possui mais resistência por conta de idéias dogmáticas e ocorre de forma gradual em espaços de tempo muito longos, além de não ser sentida de modo direto. Hoje em dia, não há qualquer discussão no meio cientifico sério, sobre a validade ou não da Teoria da Evolução (ou Fato da Evolução, se preferir). Isso se dá pelo motivo de haver 150 anos de acúmulo de evidencias e provas, confirmando todas as observações da Teoria. Apesar do que se fala por aí, não existe nenhuma evidencia indicando que as idéias centrais da Teoria de Darwin, a seleção natural e a evolução, podem estar erradas. No mínimo essas idéias centrais já podem ser consideradas como fatos!

Do mesmo modo como ocorre com a precisão da medição da circunferencia da Terra, o entendimento cientifico sobre os detalhes da evolução estão sempre avançando, mas a idéia central não vai mudar: por mais incrivel que pareça todos os animais e plantas são parentes em algum grau, a vida surgiu de elementos inanimados e modificou-se durante 4 bilhoes de anos...

Querendo ou não, no geral, é assim que a vida surgiu; no mínimo sejamos sinceros com nós mesmos.

05 julho 2010

Sonhador?

A metáfora "um grão de areia" sempre foi uma maneira eficaz de demostrar a nossa insignificância perante a grandeza do Universo. Em Pais e Filhos, Renato Russo fez isso com perfeição:

                      Link YouTube "Sou uma gota d'água..."

Você já parou para pensar nessa metáfora? Quantos grãos de areia deve existir em um punhado? Com certeza deve ser muitos milhões. E quantos existem em uma duna? Em uma praia inteira? Num deserto ou em todo nosso Planeta?


                                          "Sou um grão de areia..."

É um número inimaginável... Mas mensurável. E sabe-se hoje que existe dez vezes mais estrelas no universo do que grãos de areia na Terra¹! Da para imaginar quão grande é o universo? Acho difícil... Imagine cada grão de areia que existe no planeta como uma estrela, sendo que cada estrela é, geralmente, muitas vezes maior do que qualquer planeta. O sol, por exemplo, que é uma estrela relativamente "pequena',é 1 milhão e 300 mil  vezes maior do que a Terra. Caberia mais de 1 milhão de planetas Terra dentro do sol! E o Sol é apenas um grão de areia em um punhado. Não há como não se encantar com esses fatos.


Mas tudo isso torna-se "realidade", quando observamos o céu á noite; especialmente em noites sem lua e longe da poluição luminosa. Nessas ocasiões é possivel observar a Via Láctea. Nesse momento nos sentimos grãos de areia em uma praia do "oceano cósmico", como Carl Sagan gostava de falar. Esse sentimento de reverencia ao virtualmente infinito, misterioso e incrível é o que move cientistas, filósofos, artistas... E pessoas como eu.

Encantamento esse que não faz parte da vida de bilhões de pessoas, as quais vivem alheias a estes fatos. Pois um número cada vez maior vivem em grandes centros urbanos, que possuem alta poluição luminosa, tornando praticamente impossível a visualização de quantidades razoáveis de estrelas. Em grandes cidades, muitas vezes, não é possível ver uma estrela sequer. Mesmo dentro de cidades pequenas é difícil visualizar muita coisa no céu á noite, sendo necessário deslocar-se para lugares remotos.

                                Como você vê o céu á noite?

Dessa forma, muitas pessoas simplesmente vivem com a idéia de que aquele céu noturno cortado pela Via Láctea são meras construções cinematográficas para filmes de romance. Filmes dos quais, inclusive, usam do nosso encanto natural pelo cosmos para causar impacto nos telespectadores.


Tenho a impressão que hoje em dia a maior parte da população possui uma postura de que a realidade é  os afazeres, compromissos e objetivos ligados apenas á nossa vida nas grandes metrópoles. E que o resto, como uma bela noite estrelada ou um pôr-do-sol magnífico, por exemplo, são apenas coisas que pessoas desocupadas e sonhadoras gostam de fazer...

Na verdade os papéis estão invertidos. A espécie humana existe á aproximadamente 200.000 anos e durante 99,9% desse tempo o homem viveu em contato direto com o meio ambiente, observando florestas, animais, pores-do-sol e um céu noturno com ausência total de poluição luminosa. Mas porque nossa espécie gosta tanto de apreciar estrelas, a lua, a natureza?

Durante milhões de anos, os indivíduos da linhagem que deu origem á nossa espécie, foram sendo selecionados. Quem nascia ocasionalmente com uma leve tendencia comportamental para observar as estrelas, talvez com maior curiosidade, levava vantagem reprodutiva sobre os outros. Esses indivíduos puderam  desenvolver métodos de localização pelas estrelas, conseguindo locomover-se mesmo durante a noite e chegar primeiro aos locais seguros e/ou com abundancia de alimentos, agua, etc.. Algo parecido pode ter ocorrido em relação ao sol; gostar do sol tem muitas vantagens: síntese de vitamina D, diretamente responsável pela fertilidade, localização diurna, etc.. Essas hipóteses evolutivas explicam porque gostamos de admirar uma noite estrelada ou um belo pôr-do-sol...

Como nossa vida é única, acho um desperdício alguém viver totalmente alheio à experiencias que muitas vezes estão ao alcance de todos, mas que já não despertam interesse, muito devido a frenética corrida da vida moderna.

Neste contexto pessoas extremamente realistas, no sentido de saber do que e como o universo funciona, podem ser confundidas como sonhadoras. Essas pessoas sabem que a realidade é mais incrível do que qualquer sonho ou ficção. É fácil entender esse ponto de vista quando pensamos em alguns fatos científicos, como, por exemplo, o tempo.

Ja foi muito bem provado que quanto maior a velocidade (de qualquer coisa), menor é a passagem do tempo (para essa coisa). Na velocidade da luz o tempo simplesmente não passa, ou passa infinitamente devagar, para ser mais preciso. Outra coisa incrível é que quando estamos olhando para o céu á noite, estamos olhando para o passado; estamos olhando para a luz de uma estrela que saiu de lá há bilhões de anos e está chegando até nós apenas "agora". Dessa forma quanto mais longe os telescópios observam no universo mais fundo no passado eles adentram. Quando olhamos para o Sol, estamos vendo como ele era há oito minutos, que é o tempo que a luz emitida por ele leva para chegar até a Terra... Em síntese, tudo na realidade é surpreendente e inacreditável: a evolução, a deformação espaço-temporal, os buracos negros, a tectônica de placas... Nesse ponto, sonhar e ser realista é quase a mesma coisa!

Por isso eu sou um sonhador. 

Referencias

Gif animado, criado pelo projeto Maratona da Via Láctea
[1] Universo tem mais estrelas no céu que grãos de areia na terra

03 julho 2010

Homeopatia e Piada

Sinceridade é coisa séria. Eu levo esse "slogan" como princípio de vida, na medida que não prejudique ninguem. Mas tem um pessoal que realmente não é sincero com as pessoas e ganham dinheiro com charlatanisses...

Quem já se informou á respeito de homeopatia (e outras pseudociencias) sabe do que estou falando. A homeopatia consiste na crença de que quanto mais diluído um medicamento, maior é a sua eficácia. Os homeopatas acreditam que a "essencia" do medicamento original, fica, de alguma forma, presa nas moléculas de água; e quanto maior a diluíção maior é a força dessa "essencia", mesmo que já não exista nenhuma molecula da substancia original... Uma diluição de 1/1000000, muito usada em homeopatia, é a mesma coisa que imaginar o Sistema Solar como um tonel de agua e existir nele uma única molécula de medicamento.

Vejam o vídeo; ele retrata o assunto de maneira precisa e mostra o que a homeopatia realmente é: uma piada!





Agora vejam uma épica explicação da homeopatia por James Randi.





Referências

Estudo indicando que homeopatia não tem maior efeito do que placebo.

01 julho 2010

O Grito - Poema de um Biólogo


Na cidade todos a dormir
No horizonte a lua a surgir
Sei que algo me espera
Por isso grito da janela

Oportunidades já passaram
Agora o que resta há de vir
Sou mais um entre bilhões
Quem irá me ouvir?

São todos surdos, já gritaram um dia
Muita coisa mudou, mas os gritos continuam
Quantos novos gritos vão surgir?
Não ouço nada, de tanto gritar ensurdeci!

A voz ressoa
Em um ouvido sai
Pelo outro acabou de entrar

Tem alguém aí?
Grite então
Para que eu possa te ouvir!

Tem alguém aí?
Suba mais alto
Mas não caia daí!

Tem alguém aí?

A fumaça subiu
A floresta sumiu
E a voz se calou...