28 maio 2010

O Feminismo ainda é o mesmo?

Por milênios as mulheres foram submissas aos homens, por quê? 

Antes da revolução agrícola e da formação de pequenos núcleos de humanos sedentários, que viriam a formar cidades e mais tarde Estados, o poder masculino se dava por uma característica inerente á nossa espécie: os homens eram caçadores e as mulheres cuidavam da cria, como em muitas das espécies animais. O corpo e fisiologia do macho do Homo sapiens foram “projetados” para a caça. Homens possuem maior poder de visão á longa distância, maior poder de memorização de lugares, ossos e músculos mais fortes, etc.. Enquanto mulheres estão mais adaptadas ao cuidado parental, como visão periférica, capacidade de fazer múltiplas tarefas, etc..

Já gostaria de antecipar que não quero criar nem me basear em uma ética/moral provinda de argumentos evolutivos. Estou, por enquanto, apenas tentando explicar a irrefutável dominação que o sexo masculino teve sobre o sexo feminino durante milhares de anos; muito mais baseado na força do que outra característica.

Como de praxe, o gênero mais forte ou que possui algum tipo de poder (vantagem) sobre o sexo oposto,  geralmente é o dominador. Homens mais fortes possuem mais testosterona, homens com maiores níveis de testosterona são comprovadamente mais agressivos. Homens fortes e agressivos projetados para a caça, conseguem comida; quem tem comida e é forte tende a ser o dominador. Isso foi muito necessário para a sobrevivência dos nossos ancestrais, se não fosse teríamos evoluído de maneira direfente. Com isso a cultura nasceu sob a dominação masculina, e isso reflete socialmente até os nossos dias.

Até recentemente mulheres não possuíam direito a voto, ficavam excluídas da política, religião (muito por causa desta), artes, ciências e muitas áreas profissionais, dominadas pelos homens. Neste ponto o feminismo surgiu para acabar com essa dominação social e igualar os direitos das mulheres com o dos homens. Neste sentido o feminismo chegou tarde ás nossas sociedades. Como a sociedade e a cultura são invenções humanas, independentes de força muscular ou algo evolutivo do tipo, é um absurdo ocorrer discriminação no âmbito de gênero. Mulheres possuem as mesmas capacidades e limitações que os homens. Lógicamente que devemos respeitar as diferenças, como exemplo o motivo primordial da dominação masculina: a força. Existe áreas em que homens são melhores que mulheres, como na área de construção civil, que exige força muscular. Outras áreas as mulheres se dão melhor, como o de Assistência Social, por exemplo. Mas suprimir direitos e oportunidades é outra história.

Até aí tudo bem. O problema se inicia quando muitas mulheres começam a esquecer o sentido original do feminismo e achar que ele é o oposto do machismo. E isso ocorre principalmente em países do "terceiro mundo" onde ocorre uma conturbação do sentido original do feminismo. Mas tenho que deixar bem claro que a culpa não é só das mulheres, é social, pois muitos homens também não compreendem bem esse movimento assim como a mídia em geral.

Todos sabem que o machismo é preconceituoso, rudimentar e maléfico para a sociedade, por isso devemos acabar com ele. Só que está ocorrendo uma interpretação do feminismo como sendo o oposto do machismo, um “machismo feminino”. Agora vou usar a principal caracteristica do machismo para argumentar este ponto de vista: a promiscuidade.

Mulheres estão confundindo feminismo com “promiscuísmo”. Todos sabem que os homens no geral sempre traíram mais suas esposas. Biologicamente, esse impulso sexual constante para a fecundação do maior número de fêmeas possíveis é compreensível, apesar de não justificável. Logicamente que, depois que adquirimos consciência e inteligência, não podemos mais agir por um impulso evolutivo do passado. Se agíssemos com os mesmos impulsos então seria quase impossível viver em sociedade, pois assassinatos, estupros e roubos (apesar de às vezes serem punidos) foram comuns durante nossa evolução e é comum em muitas sociedades de primatas. Essa espécie de pós-feminismo ou feminismo conturbado está muito relacionada com o aumento da promiscuidade feminina, indicada em muitos estudos, e sem uma compreensão biológica, como ocorre com os homens (apesar de não justificar); reforçando ainda mais meu ponto de vista: é algo com raízes sociais e eu acho que provêm de uma má interpretação do feminismo.

A promiscuidade sempre esteve ligada direta ou indiretamente ao machismo. Agora, estando ligada ao feminismo, é uma evidencia de que esse movimento está sendo encarado por muitas pessoas como o oposto do machismo; se for o oposto do machismo então temos outro problema com que lidar. Estou usando a promiscuidade para desenrolar a argumentação porque sempre é algo prejudicial e que por parte das mulheres vem aumentando muito desde o surgimento do "feminismo conturbado", mas poderia usar outras características do machismo que está se incorporando ao feminismo.

Tanto a promiscuidade feminina quanto a promiscuidade masculina são prejudiciais e não contribuem em nada para o aumento da felicidade geral de um povo e, pelo contrario, do modo que nossa sociedade e cultura estão estruturadas, trazem infelicidades e prejuízos às relações humanas. Para fundamentar esse ponto de vista continuarei não usando argumentos biológicos. Irei justificar condutas humanas com argumentos antropológicos e sociais.

De todas as sociedades estudadas por antropólogos, mais ou menos metade são sociedades poligâmicas. E machistas, porque cada homem pode ter mais de uma mulher, mas não o oposto... Mas mesmo essas sociedades punem as pessoas (homens e mulheres) promiscuos. É bom distinguir bem promiscuidade de poligamia. São coisas bem diferentes.

Não quero implantar nenhum tipo de moralismo ou princípio. Apenas acho que o machismo e suas características, assim como o Feminismo encarado como o oposto do Machismo, não contribuem em nada para a felicidade geral de um povo. Não precisamos ser moralistas quando podemos ser racionais. Ser racional é analisar entre situações sustentaveis e prejudiciais e chegar á conclusão de qual a melhor maneira de se viver. E a melhor maneira de se viver com certeza é sem o Machismo e sem esse "Feminismo" conturbado...

3 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, muito interessante e adorei a idéia do blog.
    Obrigada por ñ difamar o feminismo como é de praxe e apenas fazer uma assimilação, dando um novo vulgo.

    Esse feminismo conturbado no texto mencionado nada mais é que mais um oportunismo capitalista da imbecilidade em nosso país.
    Depois de muitos anos afastada da luta feminista e de tanto ler deturpações, senti necessidade de representa-lo por aqui no meio virtual.

    O feminismo ñ acabou ou é este show de horrores que temos o desprazer de ver na mídia.
    O feminismo apenas mudou de característica, dividindo-se em vários setores políticos, e em especial na saúde e educação.
    Estou retomando a luta específica e podem ter certeza que em breve terão notícias feministas.

    Abraço libertário.

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  2. Muito Obrigado Lu, pelos elogios. É um prazer ter você como leitora...

    Eu admiro muito a luta feminista, sou totalmente a favor do feminismo, só não sou a favor desse "oportunismo capitalista da imbecilidade" como você bem observou; que pode ser o conturbador midiático do feminismo...

    Feministas como você merecem respeito!

    Abraços

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  3. Eu sou muito a favor da liberação feminina e da igualdade de direitos com os homens. Mas eu como homem nunca concordei com a promiscuidade do meu gênero, e também nunca apoiei a promiscuidade feminina. A promiscuidade em ambos os sexos destrói os pilares sociais que sustentam a formação de famílias e comunidades emocionalmente saudáveis, onde há uma correta transferência de valores e comportamentos oriundos do pai e da mãe presentes na criação da criança. Um casal promíscuo não tem chances de criar uma criança de maneira efetiva, visto que estarão sempre ausentes em busca de novos relacionamentos sexuais e dedicando pouco tempo em nutrir emocionalmente seu companheirx e filhx.

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