14 março 2010

Uma Paixão de Verão

Saudade daquelas paixões inocentes e fiéis da infância, onde desenhávamos um coração em uma árvore e escrevíamos os nomes dentro, depois a data, e "para sempre". Algumas paixões nos trazem dor, mas outras simplesmente acontecem e terminam e o que fica é a melhor das lembranças. 

Lembro-me bem de uma paixão dessas. Foi no verão de 2005.

Um dos meus hobbys favoritos sempre foi andar de bicicleta: saíamos da cidade por uma estrada de terra, andávamos por mais ou menos um quilômetro até chegar em uma estrada asfaltada, que chamamos de "O asfalto". Essa estrada é relativamente nova e muito pouco movimentada. A maior parte do trecho que nos interessa é plano, deserto e muito bonito, por isso gostamos de andar por lá.

Paisagem vista do "asfalto". Fonte: Arquivo pessoal.

Em varias ocasiões em que eu e o meu amigo Elizandro estávamos andando, encontrávamos uma moça (vou chamá-la de Moça). Ela morava em um lugar edílico no interior do município e as vezes ia até a cidade a pé ou de bicicleta. Nas ocasiões em que a encontrávamos, íamos conversando.

O Elizandro, para variar, sempre dava em cima dela. Um certo dia, depois de muitos encontros e conversas ele conseguiu ficar com ela. Eles começaram a combinar por telefone os encontros, que eram durante nossas andanças, e encontravam-se no meio do caminho. Como íamos andar juntos eu tinha que esperar os dois ficarem para depois continuarmos. É aí que a minha história começa...

Certa vez a prima dessa moça, que morava em Itaipulândia, veio passar as férias de verão na casa dela. Naturalmente que a Moça comentou sobre eu para a prima. A menina se chamava Pâmela. Em uma ocasião em que o Elizandro e a Moça foram se encontrar, eu também fui; e a Pâmela foi também...

Começamos a conversar. Nós estávamos no alto, na borda de um recorte da montanha, onde, lá embaixo, passa "O asfalto". Era um dia típico de verão, céu azul, sol, algumas nuvens brancas passando lentamente e aquele vento um pouco morno, mas que refrescava. Ela era bronzeada, cabelos castanhos lisos, olhos verdes, mais baixa e mais nova do que eu. Conversamos bastante, até que eu tomei coragem e a beijei. Foi uma das melhores sensações que já tive! Se já não estava antes, com certeza me apaixonei durante o beijo.

E assim começamos a ficar. Todas as tardes ela me ligava para eu ir no mesmo lugar. Tinha que ser lá, pois a mãe dela não poderia descobrir. Foi as duas semanas mais agradáveis que tenho lembrança; todo aquele sol que eu adoro, céu azul, lá em cima naquela tranqüilidade, com aquele medinho da mãe dela descobrir... Antes do pôr do sol eu ia para casa. Ainda parava no Morro pra ver os últimos raios de sol.

Pôr-do-sol visto do Morro. Fonte: Arquivo pessoal.

Passou-se, assim, duas semanas. Toda tarde eu me apressava, o coração começava a bater mais forte quando ouvia a voz dela no telefone, e quando ia chegando no nosso lugar de encontro sentia aquele frio na barriga. Cada dia ela aparecia mais arrumada e bonita, lá no alto daquela escarpa. Tudo foi muito bem, muito feliz, até que as férias chegaram ao fim...

Nos despedimos, ela abraçada em mim, quase chorando, e eu pensando "nao posso fazer nada...". Então foi embora, e nunca mais a vi. Depois de um certo tempo a Moça falou que ela ainda perguntava muito de mim. Isso cortava... Mas quando a Moça e o Elizandro pararam de ficar, perdi o contato com ela também, e nunca mais fiquei sabendo da menina em que me apaixonei no verão de 2005... Mas pensando bem, é bom não saber mais nada e ficar com as lembranças boas, daqueles momentos “mágicos”; aquela experiência única.

Sempre que lembro desse tempo tenho uma sensação boa e torço para que se repita! Quem sabe um dia encontro alguem como ela ou reencontro ela e conversamos sobre aquela paixão inocente naquele belo verão...

2 comentários:

  1. Aí sim hemm, botei fé, não lembrava dessa história com tantos detalhes!! Também acho, que talvez os finais inacabados deixem lembranças ainda melhores em algumas ocasiões...
    Vai que vc encontra ela a acaminho de Machu Picchu. hsaushuahsuhasuhaush

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  2. Certeza! Vai que ela se mudou pra Machu Picchu, ja fico por lá... ehehheheh

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