24 fevereiro 2010

Um Lugar Chamado “Morro”

Todo mundo deveria ter um lugar que mais ninguém conhece, um lugar só seu; um lugar que sentimos segurança como o esconderijo da época de criança; um lugar que se vai quando está estressado, cheio do barulho, da correrria  e dos problemas da vida... Nós somos privilégiados por termos um lugar desses. Nós o chamamos de O Morro (porque será?). O Famoso Morro! Aconteceu tanta coisa lá em cima que até eu duvido!


O Morro. Fonte: Arquivo pessoal.

Vamos voltar no tempo e explicar como ele foi “descoberto” (imagine aquele barulhinho de fita retrocedendo, igual fazem no cinema!)...

Ééé... não é que descobrimos o Morro! Porque ele tem dono e de qualquer parte da cidade da para vê-lo. A realidade é que demos um novo uso pra ele. É como se fosse uma invenção! Invenções são coisas novas ou novos usos para coisas que já existem...

Mas voltando à descoberta, já fazia anos que andávamos de bicicleta na estradinha que passa ao pé do Morro. Mas naquela época estávamos mais interessados em outras “descobertas” cinco quilômetros á frente.

Um belo dia (literalmente) retornando das nossas divertidas andanças resolvemos “subir naquele morro pra ver mais longe”. Dava para ver toda a cidade lá de cima, e umas montanhas além dela. Ficamos impressionados.

Logo á noite, do mesmo dia, eu e o Rodrigo fomos andar de bicicleta. Muitos de vocês acharão estranho andar de bicicleta á noite! É porque não conhecem nossa cidade. Aqui é o paraíso (ta bom, ta bom, não  é mais tanto). Mas naquela época dava para sair á noite sem nenhum perigo e o calor sempre incentivava.

Logo que saímos de casa, pedalando e conversando, o Rodrigo me olhou com aquela cara de quem grita Eureka! Na mesma hora eu já saquei a idéia. Ele perguntou se eu estava pensando o mesmo que ele, eu respondi que sim. Então fomos na direção do morro que havíamos subido durante o dia.



Vista da estradinha ao entardescer, visão contraria ao pôr-do-sol. Fonte: Arquivo pessoal.

Deixamos as bicicletas nas moitas lá embaixo e começamos a subir. Combinamos de só olhar pra trás depois de chegar no topo... Durante a subida dava pra sentir o vento ficando mais forte, aquele vento quente com cheiro de grama. Nós sabíamos que a visão lá de cima à noite seria bonita, então cada vez que se aproximava do momento de olhar para trás o coração batia mais forte.

E finalmente, embaixo de um céu estrelado pela via-láctea e um vento quente que trazia odores de lugares longínquos, olhamos para trás... Vimos todo um mar de luzes á nossa frente. As luzes laranjadas cortando por entre as brancas, dando formato ás avenidas; dava para ver as silhuetas de muitos lugares conhecidos. Ficamos extasiados!

Depois da euforia sentamos e ficamos observando toda a cidade. Ninguém sabia que estávamos lá em cima, imaginando todas as pessoas lá embaixo, brigando, conversando, assistindo TV, muitos deixando a vida passar sem ter uma aventura real como a nossa... Era tão bom ficar lá, apenas olhando pra’quele mar de luzes logo á nossa frente e conversando sobre a vida.

Depois dessa noite, nunca mais deixamos de “subir no Morro”. Levamos todos nossos amigos e passamos por coisas difíceis de acreditar que aconteceram... (contaremos neste blog).

Dessa perspectiva é fácil de perceber como um lugar, e o ambiente que vivemos, pode influenciar em quem somos (quem seremos), em nossas ações e pensamentos e consequentemente na nossa felicidade!

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