25 fevereiro 2010

O grande efeito "manada"

Segundo o dicionário, "manada" nos sentido figurado refere-se a um grupo numeroso de pessoas passivas, que se deixam conduzir sem questionamento. As frases que demonstram esse efeito é facilmente encontrado nas rodas de amigos, colegas, familiares, e é exemplificado através de jargões, que não fogem muito dos habituais: " pois é, mas todo mundo age assim"; " do que adianta pensar assim, você é só um, está achando que vai mudar o mundo?"; e uma das melhores: " se todo mundo faz, porque eu não posso". Na verdade, acredito que isso é apenas uma forma que encontramos para justificarmos as nossas ações, apartir dos erros cometidos pelos outros.

Sendo assim, a pergunta que não quer calar no momento é: Qual é o motivo de irmos contra o vigente fluxo das idéias humanas e termos atitudes diferentes das conhecidas e repetidas já existentes? ORA POIS, somos seres pensantes, e como tais, possuímos a capacidade de analisar cada uma das diversas situações as quais estamos expostos, e apartir daí, tomarmos nossas decisões; Com certeza, esse foi um importante fator evolutivo que possibilitou ao homem sobreviver nas diferentes épocas e atualmente ser uma espécie razoavelmente bem adaptada ao ambiente terrestre ( é claro, com ressalvas). Outro motivo, é que a falta de comodismo nos possibilitou vários exemplos positivos humanos. Imaginem vocês, se Albert Einstein, se conformasse em seguir a grande tendência da época na Europa de tornar-se um operário alemão, ou pior ainda, decidisse participar de uma das guerras que a Alemanha esteve, melhor nem pensar hem, hehe.

Provavelmente não sobraria tempo para as décadas de estudo que o possiblitaram desenvolver a teoria da relatividade. Ou ainda, se Nelson Mandela se conformasse com a segregação racial e social, aos quais os negros da África Do Sul foram expostos na época do Apartheid. Com certeza, essas pessoas não são adeptas do comodismo ou efeito manada, e por isso deixaram de ser pessoas comuns. Não estou afirmando que cada um de nós deve desenvolver uma teoria ou fazer parte de uma grande causa social para ser considerado um não-comodista; mas pelo menos, podemos desenvolver o hábito de pensarmos e analisarmos cada uma das situações, segundo nossas idéias e convicções.

O Clichê Do "Eu Sou Assim..."

De acordo com varios dicionários, clichês são expressões ou frases que de tão utilizadas e repetidas, desgastaram-se e perderam o sentido... É por essa inutilidade ou trivialidade dos clichês que eu não gosto muito deles (e as vezes de quem usa); tambem porque ja me desgastei com pessoas que ficaram teimando em cima deles, achando que estavam certas ao utilizarem esses chavões como argumento!

Com certeza todo mundo ja ouviu alguem se defender com algum deles, o mais famoso é aquele quando a pessoa diz: "ha eu sou assim, vc tem que me aceitar do jeito que sou..."

Para essas pessoas e para quem, intuitivamente, nao gosta desse clichê, aqui vai um texto muito bom que achei na net (ainda nao achei a fonte).

Eu Sou Assim!

Quem diz “eu sou assim...”, faz de conta que não está pensando, faz de conta que não possui liberdade de escolha, faz de conta que há algo programado dentro dela, e que não existem meios de alterar essa programação. A quase totalidade das pessoas que insistem em dizer “eu sou assim...”, têm receio de mudar e são complacentes com elas próprias, agindo como um avestruz, colocando a cabeça em um buraco no chão...

Mas nós nunca "somos" coisa alguma. Sempre estamos. Estamos jovens, estamos sadios, estamos acordados, estamos educados, estamos esforçados, estamos atentos, estamos felizes e assim por diante. O que "está" pode ser mudado, mas o que "é" não pode.

Há uma enorme diferença entre "ser e estar". Quando dizemos que estamos sem dinheiro, estamos solitários, estamos tristes, estamos sem imaginação, estamos com problemas... deixamos claro para os outros (e para nós mesmos) que esta é uma condição transitória e que estamos trabalhando para mudar o quadro. Dizer: "eu estou acima do peso" é muito diferente de dizer "eu sou gordo".

Quando usamos o verbo "ser", definimos uma condição de vida que independe de nossa vontade. Sou do planeta Terra: é uma condição imutável. Estou na França: é uma condição transitória.

Escute o que você diz para os outros e para sua própria mente. Se você disser algo começando com a frase "eu sou assim mesmo..." verifique imediatamente se não está somente tentando explicar o inexplicável para seu próprio coração. Não tente se enganar, porque, no fundo, você vai saber que é uma afirmação falsa.

Somente quem muda, sobrevive. Como diz William Shakespeare: "Ser ou Não Ser? Eis a questão".

Neste caso, é a sua questão, porque é a sua vida.

24 fevereiro 2010

Um Lugar Chamado “Morro”

Todo mundo deveria ter um lugar que mais ninguém conhece, um lugar só seu; um lugar que sentimos segurança como o esconderijo da época de criança; um lugar que se vai quando está estressado, cheio do barulho, da correrria  e dos problemas da vida... Nós somos privilégiados por termos um lugar desses. Nós o chamamos de O Morro (porque será?). O Famoso Morro! Aconteceu tanta coisa lá em cima que até eu duvido!


O Morro. Fonte: Arquivo pessoal.

Vamos voltar no tempo e explicar como ele foi “descoberto” (imagine aquele barulhinho de fita retrocedendo, igual fazem no cinema!)...

Ééé... não é que descobrimos o Morro! Porque ele tem dono e de qualquer parte da cidade da para vê-lo. A realidade é que demos um novo uso pra ele. É como se fosse uma invenção! Invenções são coisas novas ou novos usos para coisas que já existem...

Mas voltando à descoberta, já fazia anos que andávamos de bicicleta na estradinha que passa ao pé do Morro. Mas naquela época estávamos mais interessados em outras “descobertas” cinco quilômetros á frente.

Um belo dia (literalmente) retornando das nossas divertidas andanças resolvemos “subir naquele morro pra ver mais longe”. Dava para ver toda a cidade lá de cima, e umas montanhas além dela. Ficamos impressionados.

Logo á noite, do mesmo dia, eu e o Rodrigo fomos andar de bicicleta. Muitos de vocês acharão estranho andar de bicicleta á noite! É porque não conhecem nossa cidade. Aqui é o paraíso (ta bom, ta bom, não  é mais tanto). Mas naquela época dava para sair á noite sem nenhum perigo e o calor sempre incentivava.

Logo que saímos de casa, pedalando e conversando, o Rodrigo me olhou com aquela cara de quem grita Eureka! Na mesma hora eu já saquei a idéia. Ele perguntou se eu estava pensando o mesmo que ele, eu respondi que sim. Então fomos na direção do morro que havíamos subido durante o dia.



Vista da estradinha ao entardescer, visão contraria ao pôr-do-sol. Fonte: Arquivo pessoal.

Deixamos as bicicletas nas moitas lá embaixo e começamos a subir. Combinamos de só olhar pra trás depois de chegar no topo... Durante a subida dava pra sentir o vento ficando mais forte, aquele vento quente com cheiro de grama. Nós sabíamos que a visão lá de cima à noite seria bonita, então cada vez que se aproximava do momento de olhar para trás o coração batia mais forte.

E finalmente, embaixo de um céu estrelado pela via-láctea e um vento quente que trazia odores de lugares longínquos, olhamos para trás... Vimos todo um mar de luzes á nossa frente. As luzes laranjadas cortando por entre as brancas, dando formato ás avenidas; dava para ver as silhuetas de muitos lugares conhecidos. Ficamos extasiados!

Depois da euforia sentamos e ficamos observando toda a cidade. Ninguém sabia que estávamos lá em cima, imaginando todas as pessoas lá embaixo, brigando, conversando, assistindo TV, muitos deixando a vida passar sem ter uma aventura real como a nossa... Era tão bom ficar lá, apenas olhando pra’quele mar de luzes logo á nossa frente e conversando sobre a vida.

Depois dessa noite, nunca mais deixamos de “subir no Morro”. Levamos todos nossos amigos e passamos por coisas difíceis de acreditar que aconteceram... (contaremos neste blog).

Dessa perspectiva é fácil de perceber como um lugar, e o ambiente que vivemos, pode influenciar em quem somos (quem seremos), em nossas ações e pensamentos e consequentemente na nossa felicidade!

20 fevereiro 2010

A primeira lembrança


Todo mundo já tentou lembrar a primeira coisa que ficou guardada em sua memória? Quando eu tinha menos de 10 anos e estava assistindo TV Colosso (lembram?), foi proposto no programa que os telespectadores tentassem se lembrar da memória mais remota.

Eu comecei a pensar e não sei se foi uma lembrança fabricada ou um sonho que confundi com realidade, mas lembrei de duas coisas que talvez aconteceram... A primeira lembrança eu estava em uma mesa ao lado de uma janela; não sei porque eu sempre acho que era a janela do meio de minha casa. Era um dia ensolarado e o vento balançava as cortinas. O céu estava de um azul que só as crianças conseguem ver¹ e as vezes os raios de sol ofuscavam meus olhos. Sempre presumo que, nesse momento, minha mãe estava trocando minha fralda (?).

A segunda lembrança mais antiga que (talvez) possuo é de eu segurando o dedo do meu irmão mais velho, com a mão cheia. Ele é seis anos mais velho que eu, então o dedo dele devia ser bem pequeno, e o meu menor ainda! Essa lembrança tem mais credibilidade, pois ha alguns anos perguntei se ele possuía a mesma lembrança e ele confirmou. O porem é que é uma coisa comum de se fazer com bebês...

Talvez tenha sido uma memória construída, daquelas quando alguém diz: “Você lembra daquela vez que fomos fazer tal coisa, estava eu, o Roni, o Gilson e vc...”. “Haa, sim, sim, eu estava junto, foi muito divertido hahaha”. Nessas horas não queremos decepcionar nosso amigo dizendo que infelizmente não estávamos juntos, afinal ele fez questão de lembrar de nós! Então às vezes fingimos, e no fundo pensamos: “Acho que ele sabe que eu não estava junto, só esta falando que eu tava pra me colocar junto nas lembranças boas...” “Mas será que eu não estava? Estou quaaase lembrando!”

É nessas horas que deixamos de lado a sinceridade. As vezes é difícil ser sincero quando temos que confiar em nossa memória. Por isso que eu digo, suspeite de quem tem memória fraca! Neste blog, postaremos histórias tão verídicas quanto nossa memória possa nos fornecer e idéias as mais sinceras que nosso conhecimento e experiencias de vida possam conceber...

O blog é uma tentativa de manter nossa memória fresca e compartilhar idéias, tudo da forma mais sincera possivel. Afinal, para nós, Sinceridade É Coisa Séria!


¹ As crianças conseguem distinguir mais tons de azul do que adultos.