16 junho 2019

Dudu


O ano era 1999. Estávamos quase na virada do século. Minha irmã começou a cuidar de um menininho com os cabelos lisos, cor de ouro, muito meigo e comportado. Cuidava enquanto a Vani, mãe dele, trabalhava. O Dudu tinha 1 aninho. Logo toda a minha família se apegou a ele. Passados apenas alguns meses minha irmã arranjou um emprego em uma loja, então minha mãe passou a cuidar dele.

À medida que o Dudu crescia nós passávamos mais tempo juntos. A gente tomava batida de fruta em cima das árvores, brincava com uma velha máquina de escrever, eu puxava ele numa caixa de papelão, subia no pé de manga-rosa, na casinha da árvore, e muitas outras coisas.

Só de brincadeira eu copiava frases de livros na máquina de escrever e ensinava o Dudu a fazer o mesmo. Um certo dia fiquei muito surpreso quando o Dudu, então com uns 2 anos, apontou em um livro e falou: "satélite"; quando olhei tinha uma figura de um satélite artificial orbitando a Terra, fiquei boquiaberto. Ele sempre foi muitíssimo inteligente e com uma memória sem igual. Ele lembra de quase todas as brincadeiras que a gente fazia.

Eu inventei uma brincadeira, que talvez hoje fosse considerado bullying. Eu perguntava pra ele: “Dudu, e o pescocinho? E ensinei ele a responder: “fininho”. Então eu perguntava: “e a barriga”, e ele respondia: “cheia de água”. Ele era magrinho e tinha uma barriguinha... Até hoje nós rimos muito quando lembramos disso.

Eu desmontava motores e a gente jogava umas chapas de metal em formato de E nas bananeiras atrás de casa. O Dudu saia rolando na terra quando o carrinho de papelão virava. Nessas horas ele ficava bravo, e dizia: “assim não, vou falar pra minha mãe!”.

Foram três anos de muitas alegrias, diversão, aprendizado e ali começou uma amizade pra vida toda. Depois de um tempo minha mãe deixou de cuidar dele e de vez em quando a Vani trazia ele lá em casa. Ele crescia cada vem mais rápido.

Um tempo depois perdemos o contato, pois primeiro mudei de cidade para estudar depois para trabalhar, e o Dudu também seguiu a vida dele. Acho que a última vez que o vi ele tinha uns dez anos.

Então, no dia 22/05/2016, as 18:56 o Dudu me adicionou no FB e mandou uma mensagem: “quanto tempo Fernando”; “saudade de tomar batida lá no pé de árvore atrás do restaurante”; “sou o Dudu”; “lembro de muita coisa quando era menor, tipo pescocinho fininho e barriga cheia de água kkkk”. Eu respondi: “meu Deus, não acredito que é você!”; “nunca ia te conhecer, tu ta muito grande hauhauhau”.

No dia 10/09/2016 fui passar uns dia em Capanema, então marcamos para tomar um tereré na praça e conversar. Eu lembro muito bem desse momento. Enquanto eu fazia o suco de limão o Dudu apareceu lá em casa. Foi uma alegria pra todo mundo. Lembro também da felicidade no rosto dos meus pais ao verem ele. Foi uma surpresa ver que ele estava maior do que todos nós... Mas foi como se a gente nunca tivesse perdido o contato. O Dudu continuava aquele menino inteligente, simpático, alegre e com uma memória incrível. É sempre muito bom estar com ele.

Daquele dia em diante toda vez que visito meus pais a gente combina para fazer alguma coisa, tomar tereré na praça, no Titus, no Ginásio, pela cidade toda, fazer uma fogueira, ver a lua, conversar e principalmente, viver!

Um tempo depois eu estava em uma fase ruim, muito estressado por causa do trabalho, então fiquei em casa (em Capanema) por 4 meses. Foi muito bom ter o Dudu por perto, pois os verdadeiros amigos, mesmo sem querer, ajudam um ao outro. Foi um período muito bom!

Tenho certeza que nunca mais perderemos o contato. Temos muitos tererés para tomar, muitas coisas para lembrar e para viver.
Dudu, que sorte eu tenho de ter te conhecido com 1 aninho e que bom que você me mandou aquela mensagem em 22/05/2016. Sou eternamente grato por isso.

18/02/2019

30 janeiro 2019

Quando o Corpo Fala... Sozinho!


Quem já leu "O Corpo Fala" sabe o quão importante são nossos gestos e posturas, principalmente durante uma conversa. Mas nesse post não falarei de posturas corporais durante conversas, isso já foi feito no livro. Falarei de minhas experiências "extrassensoriais". Calma, a palavra está entre aspas! Isso porque não costumo sair do corpo. Ééé uma vez bebi absinto... mas é outra história! Nessa postagem contarei histórias de quando o corpo reage quase que sozinho...

As vezes dá #Fail no cérebro e fazemos coisas sem controle do Sistema Nervoso Central. Só pode! É a minha teoria para explicar gestos e falas sem sentido aparente, que as vezes, quando estou nervoso, acontece. Em momentos de nervosismo o Sistema Nervoso Periférico, com seus reflexos impensados e gestos motores automáticos, toma o controle. Tinha uma comunidade no orkut relacionada com esse "fenômeno": Medo de confundir os dedos (já está fora do ar). Vai que eu vou fazer um sinal de OK e mostro o dedo médio? Inacreditável né, mas acontece! E pela comunidade, isso aconteceu para boa parte dos 13.135 membros, o restante AINDA está só com medo. Pelo menos não estou sozinho nessa! Parece que o fenômeno tem que ser mais estudado... Dica para dissertação de mestrado. 

Certa vez, na faculdade, chegamos na casa da Lari para jogar truco e tomar tereré. Como sempre ela estava conversando com a mãe pela WebCam. Normal, a mãe dela já estava acostumada com gente chegando e fazendo bagunça... No meio das conversas e brincadeiras resolvi fazer sinal de OK para quem estivesse na Web. Mas quando estiquei o braço, comecei a organizar os dedos para um belo OK... #Fail! Falha no sistema! E sem controle nenhum da minha mão naquela fração de segundo, o meu dedo médio... já sabem. Depois dessa entrei naquela comunidade do Orkut...
Só torci para a mãe dela não ter visto, se fosse outra pessoa Foda-se.

Ciúme é Burrice


Praticamente todo mundo já foi ciumento ou já sofreu com alguém excessivamente ciumento. No meu primeiro namoro sofri demais, mas não porque ela era ciumenta, mas porque eu que era paranoicamente ciumento. Eu queria sempre saber onde a outra pessoa estava, com quem estava, o que estava fazendo, a imaginação nessas horas não ajuda muito... 

Em minha "defesa" posso alegar que além de eu não saber muito sobre relacionamentos e não ter quase nenhuma experiência, ocorreu várias situações que me induziram a ter ciúmes excessivos, mas isso agora é irrelevante e não muda o ponto onde quero chegar. Vai vendo...

Com o baque do término do primeiro namoro eu refleti muito, e aprendi muitas coisas (uma coisa boa de namorar várias vezes).

Então no segundo namoro eu já havia aprendido, porém eu era o primeiro namorado da minha ex e ela era ciumenta demais... Não deu certo de novo.

No terceiro namoro, o melhor que já tive, minha ex namorada era um pouco ciumenta e não me dava muita liberdade, brigávamos muito e tal; mas ela também logo aprendeu. Depois vivemos ótimos momentos, sem nada do que reclamar. 

Em todo esse tempo fui aprimorando meus aprendizados, me policiando, refletindo, observando, e cheguei numa conclusão que é até óbvia: ciúme excessivo é burrice!

Vou falar de namoro, mas é a mesma coisa para qualquer tipo de relacionamento. 

Se a pessoa é ciumenta o namoro vai ser tornar algo ruim. Se é algo ruim a tendência é terminar. Se a pessoa controla o ciúme, o namoro se torna algo muito bom, então a tendência é que o namoro não termine (não por este motivo). 

O ciúme tira a liberdade das pessoas. Sem liberdade pessoa nenhuma é feliz. Se a pessoa não está feliz devido o relacionamento, então ele nunca vai dar certo. Sem contar que a pessoa ciumenta também sofre muito, vive como se estivesse numa prisão psicológica.  

Todo relacionamento deve ser soma. Você tem sua família, seus Hobbies, seus amigos, seu trabalho, e o relacionamento deve ser algo a mais. Se o relacionamento lhe impuser a subtração de qualquer coisa boa de sua vida, então é abusivo. Namoro ou casamento tem que vir para somar, somar os amigos, somar as famílias, somar os Hobbies, acrescentar uma pessoa na sua vida, acrescentar experiências boas, preservando sua individualidade, sua liberdade, privacidade, sua felicidade.

Existe uma lei bem simples e que nunca erra: quanto mais liberdade se dá, mais a pessoa quer ficar, quanto menos liberdade, mais a pessoa que ir... 

Então o segredo para um relacionamento saudável e duradouro é confiança. Com confiança não se tem tanto ciúme. Com confiança e menos ciúme é mais fácil dar a liberdade que toda pessoa necessita. E caso o relacionamento seja baseado na soma, na confiança, na liberdade, e mesmo assim não deu certo, é porque não teria dado certo de qualquer forma. Nunca é preciso transformar o relacionamento em algo ruim até descobrir que não vai dar certo. Nunca vai ser o ciúme, a desconfiança, a paranoia, a restrição da liberdade, o monitoramento da pessoa, que vai tornar o relacionamento viável. É burrice!

Eu sei que muitas vezes somos levados pelos sentimentos e não pelo raciocínio. Mas todo comportamento é aprendido se for refletido, treinado. 

Todo mundo consegue melhorar. Para ser uma pessoa melhor, e ter um ótimo relacionamento, é só tentar e tornar isso um objetivo de vida. 

13 novembro 2018

No Brasil ser honesto faz mal para a saúde

Escrevi esse texto em 2015.



Criei esse blog com o intuito de contar as muitas histórias que passei com meus amigos e de compartilhar pensamentos, aprendizados e outras experiências de minha vida, de forma sincera, divertida e engraçada. Porém, esta postagem sairá dessa linha, mas sempre mantendo a honestidade, como de costume.

Sou Biólogo, e trabalho há três anos como Licenciador Ambiental em um município gaúcho. A única profissão que lembro que queria ser desde criança era biólogo. Não perdia uma sexta-feira de Globo Repórter, quando o programa era sobre “bixos”. Minha mãe me dizia: “Fernando, hoje o Globo Repórter é de ‘bixo’”. Ela também sempre gostou de natureza. Assim, eu vivia falando por aí que queria ser biólogo quando crescesse. 

Pois bem, cresci (nem tanto, 1,70 m), me esforcei bastante e me tornei biólogo. Uma coisa que eu sempre digo, é que se eu tivesse outra profissão faria biologia apenas por hobby, pois eu realmente gosto do que faço; e dou muita importância, pois a natureza viabiliza a manutenção da vida na terra à longo prazo.

Depois de formado veio o desespero, voltei para casa de meus pais e fiquei um ano ajudando no restaurante deles. Mas sempre pensando em qual seria meu próximo passo. Frustrado por não existir emprego para bacharéis em biologia recém formados e influenciado pelo meu pai, que vivia me dizendo para fazer concursos, e pelo meu amigo Rodrigo, que já tinha passado em um concurso na área dele, resolvi começar estudar para concursos. 

A primeira dificuldade foi não saber estudar. A segunda foi descobrir que praticamente todos os concursos para biólogo possuem apenas uma vaga. Em um ano prestei sete concursos públicos. Nos primeiros tive vergonha do resultado. Foi ali que eu vi que tinha que me dedicar mais. Finalmente no último concurso fiquei em primeiro lugar. 

Menos de dois meses depois recebi a ligação da prefeitura, me chamando para assumir o cargo.

Então, no dia 14 de fevereiro de 2012 comecei a trabalhar como biólogo em um município gaúcho, no cargo de Licenciador Ambiental. Fiquei extremamente empolgado, pois poderia fazer o que todos da minha turma almejavam, que era trabalhar diretamente na defesa do meio ambiente, na exigência do cumprimento da legislação ambiental, na prevenção da poluição!

Eu sempre tive aversão à corrupção e desonestidade, então essa era minha outra oportunidade: ser um servidor público honesto e dedicado. Eu poderia enfrentar os canalhas que queriam poluir, os colegas omissos que apenas queriam ganhar dinheiro e não fazer nada.

Comecei trabalhando com afinco, dedicação, absorvi todo conhecimento possível e sempre fui o mais competente e honesto possível.

Porém, meu maior desânimo foi aprender uma dura lição: no Brasil são as pessoas honestas que são severamente punidas, e não as desonestas!

Para quem não sabe, o Licenciador Ambiental é responsável pela emissão das licenças ambientais, como Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação, assim como Alvará Florestal para poda, abate ou supressão de vegetação. Praticamente toda atividade econômica precisa de licença ambiental para funcionar ou para ser implantada. Todas as atividades devem respeitar as normas legais e podem apenas poluir dentro do legalmente permitido. Caso o empreendedor não cumpra as exigências do órgão ambiental ele poderá ser autuado ou terá sua licença ambiental revogada.

A licença ambiental é um pré requisito para qualquer financiamento, participação de licitação, compra e venda de matéria prima, de produtos, disposição de resíduos, etc.

Assim, a licença ambiental é um documento extremamente importante. É normal as empresas terem que se adequar antes de sair a licença ambiental, pois quase todo mundo funciona de forma irregular. Então é preciso investir em equipamentos de controle ambiental e mudar a forma como geralmente os resíduos são gerenciados.

Então, os licenciadores são tidos como os grandes obstáculos para o enriquecimento e crescimento das empresas... (fajutas, porque as sérias só se beneficiam com a adequação ambiental).

Sabendo disso é fácil perceber que uma rotina diária é o prefeito receber reclamações sobre seus licenciadores. Uma vistoria que aponta uma irregularidade é uma afronta à empresa e à administração, ainda mais se a empresa financiou a campanha do prefeito atual. Cada exigência que se faz é um empresário em potencial no gabinete do prefeito, pedindo explicações. Isso é ridículo!

A pressão é muito grande, de todos os lados. As ameaças constantes. O medo de a administração te colocar numa fria ou armar uma pra cima de você é constante.

Estas situações são extremamente estressantes, porém eu nunca deixei de apontar uma irregularidade, de exigir uma adequação ou de indeferir uma solicitação sem condições mínimas ou de revogar uma licença quando adequadamente motivada.

Com isso algumas pessoas aproveitaram a insatisfação da administração em relação à minha pessoa e trocaram facilidades ambientais por regalias, tipo cursos (com diárias), participação em comitês (com diárias), recebimento de menor quantidade de processos e processos mais fáceis, etc. Nada disso me interessa, pois meu pagamento extra é a satisfação do dever cumprido, do orgulho próprio de nunca ter mudado uma licença ou um parecer para agradar ninguém.

Muitos colegas de profissão devem ter feito biologia por desconhecimento sobre a matéria, pois alguns fazem muito esforço para ganhar dinheiro e pouco se preocupam com o meio ambiente ou com os princípios constitucionais da administração pública.

Comecei a reclamar do excesso de trabalho que estava recebendo, dos processos difíceis que estavam me passando, enquanto muitas pessoas na prefeitura passavam o dia lixando a unha e resolviam problemas particulares, com o telefone da prefeitura aliás. Eu sabia que essa era a minha punição por ser honesto e competente. Porém as coisas começaram a piorar ainda mais...

Comecei a ser pressionado para fingir que não via certas coisas, para emitir licenças em desacordo com as normas, omitir dados, fatos, ignorar a legislação, “dar uma aliviada”, “dar um jeitinho”, em certas situações.

Como eu não cedia, começaram a espalhar boatos a meu respeito, que eu só queria ferrar com a administração, que eu era da oposição (apesar de nunca ter tido partido).

Todos cochichavam pelas minhas costas. As pessoas começaram a me tratar diferente.
E o pior: a minha avaliação no estágio probatório, que sempre tinha nota máxima, condizente com minha dedicação, honestidade e zelo pelo trabalho, agora estava com notas baixas, apesar de meu trabalho não ter mudado em nada, muito pelo contrário, estava trabalhando o máximo que podia mesmo sob forte estresse, em um ambiente de trabalho totalmente tóxico.
  
A sacanagem que me fizeram na avaliação do estágio probatório foi a gota d’água.

Como eu gosto muito de ciência, adoro livros de divulgação científica, aprendi desde muito cedo a ser intelectualmente honesto. Não roubar a ideia alheia, dizer a verdade, ser justo. A honestidade intelectual é um valor que me marcou profundamente. Lembro que a primeira vez que li sobre isso foi no livro do Carl Sagan, Um Mundo Assombrado Pelos Demônios.

Talvez seja por isso que uma coisa que me mata por dentro é injustiça e desonestidade. Quando cometeram aquela injustiça tremenda, e eu não podia fazer nada, aquilo me derrubou. Comecei a ter dor no peito de estresse, falta de memória, problemas de relacionamento, irritação constante, falta de apetite, perda de peso, e depois de um tempo comecei a ter alergia alimentar. Ainda estou fazendo exames para descobrir o que eu tenho, pois certos alimentos me deixam muito mal.

Muitas coisas aconteceram. No meio disso tudo uma servidora desiludida da vida, solteirona e triste, com uma fixação doentia por cães, parou de falar comigo e começou a debochar e me difamar e injuriar, tudo porque eu “me intrometi no serviço dela”. Passei um relatório de vistoria de um senhor que havia cortado dois pinheiros gigantes em cima de um morro, os quais eu havia indeferido a solicitação. Depois de um ano essa pessoa, que é agente de fiscalização ambiental, autuou o infrator. Porém, essa história, que deveria ser rotineira em todo departamento de meio ambiente, serviu para essa pessoa desequilibrada infernizar a minha vida. Passei mais de um ano ignorando essa pessoa. Porém, cheguei ao meu limite e percebi que quanto mais eu ignorava mais ela debochava de mim e me perseguia. Como minha mãe sempre diz: quanto mais você abaixa a cabeça, mais levanta a bunda (para ser chutada).

Tentei desesperadamente mudar de sala, para poder trabalhar ao menos, e poder me alimentar melhor, pois o estresse estava tão grande que eu mal comia. Mas eu, que não “colaborava” com a administração, nunca iria receber uma ajuda dessas. Eu poderia morrer se fosse o caso, que a administração nunca iria deixar eu mudar de sala. Eu estava ao ponto de explodir, disse para todo mundo que se não me autorizassem eu iria me mudar de qualquer forma, e que eles me mandassem pra rua se quisessem... Porém, depois de muito custo, muitos e-mails e insistência, um secretário interino, que estava só de passagem, me autorizou a mudar de sala. No mesmo minuto levei meu computador e todas as minhas coisas para a outra sala, antes que outras pessoas ficassem sabendo e me impedissem.

Não gosto nem de lembrar, fiquei traumatizado com todas essas situações. 

Porém, as coisas não mudam tão fácil. A mesma pressão continua. Ser honesto neste país é tremendamente difícil, estressante, perigoso, e faz mal para a saúde.

Mas apesar de tudo eu continuo aqui, sendo honesto, um pouco irritado com esse país, porém com um sono tranquilo...

Aconteceu muitas coisas depois disso, que contarei em outra ocasião.

07 março 2016

Em má compreensão


Segundo o Dicionário Aurélio, incompreensão significa... falta de compreensão mesmo! E eu esperando algo a mais para começar esse post... Mas tudo bem! O importante é que todo mundo já foi incompreendido alguma vez na vida. A incompreensão é uma lei que rege o universo do mesmo modo que as Leis da Termodinâmica: não dá para escapar delas.

Ser incompreendido as vezes é bem engraçado, rola um humor na conversa e depois você se explica (ou não). Essa é a parte boa, mas também tem a parte ruim e, segundo o Samuel Rosa, tem outra, pois "tudo tem três lados" (Skank, 2000).

Mas vamos falar da parte ruim, que é quando você está dialogando com alguém e por algum motivo você diz algo, ou faz algum gesto, que não é compreendido pelo interlocutor. Isso pode ocorrer por vários motivos: nervosismo, porque você espera que a pessoa entenda alguma referência, ou a ironia, ou a piada que você contou, ou qualquer outro motivo. Você sabe que foi incompreendido, você sente isso; você sente o clima, a reação das pessoas.

Eu já fui e sou muito incompreendido. Em diversas conversas com minha namorada, com amigos, ou no trabalho, eu percebo que as pessoas não estão me entendendo. Talvez eu deva me expressar melhor (provavelmente). Outras vezes faço alguma referencia à uma conversa ou acontecimento recente, esperando que eles entendam a ligação, então fico no vácuo, pois ninguém entendeu nada. 

Mas tudo isso é normal, porém algumas vezes as coisas são piores, como aconteceu comigo. 
Certa vez no 1º ano do Ensino Médio, na aula de Física, a professora (Clarisse é o nome dela) pediu para os alunos lerem um texto. Eu, como todo mundo, comecei a ler o texto tranquilo. Logo o meu amigo Elizandro pediu para ir ao banheiro. Como sempre, ele aproveitou para fazer uma gracinha: eu estava inclinado com a perna um pouco esticada fora da carteira, e quando ele passou fingiu que eu estiquei a perna de propósito e simulou um tropeço. Estava toda a sala quieta, lendo, e ele falou: "pô professora, o piá aqui fica passando tranca na gente", e saiu. Eu não dei atenção nenhuma para a brincadeira pois achei que todo mundo havia percebido que ele estava brincando (e que todos conheciam ele, vivia brincando assim); então apenas levantei a cabeça, olhei para a professora e balancei, tipo "nã nã nã, esse Elizandro!" E ficou por isso, todo mundo continuou quieto, lendo o texto.

Quando a leitura do texto acabou a professora começou a me xingar descontrolada! Falou que eu era cara de pau para passar uma "tranca" e depois fingir que não tinha feito nada. Falou que viu eu esticando a perna, que eu não tinha vergonha... E toda a sala quieta e ela me xingando gratuitamente. 

Foi tão inusitado que no começo eu fiquei sem saber o que falar ou fazer, fiquei boquiaberto. Enquanto ela estava disparando aquele palavreado injusto, o Elizandro entrou na sala. Nesse momento eu comecei a tentar me defender, falando que ele tava brincando, que eu estava quieto lendo, que não tinha feito nada... Olhei para o Elizandro e ele estava rindo, pois não estava entendendo também. Mas o desgraçado não falou nada! Nessa altura eu estava pensando seriamente em pegar a cadeira e jogar na cabeça daquela mulher! O escândalo que ela fez foi tanto que não escutou nada do que eu havia dito para explicar o ocorrido... Ela não havia entendido absolutamente nada! E não havia me escutado ou me dado a chance de explicar a situação. 

Quando lembro dessa história ainda sinto raiva e aquele senso de injustiça e incompreensão.

No final do xingamento é obvio que não tive coragem de jogar a cadeira na cabeça dela e achei melhor não discutir mais... Ficou por isso mesmo. 

Se eu fosse menos tímido talvez teria ido falar com ela, teria ido até a secretaria, teria feito justiça, pois foram xingamentos injustos, que me constrangeram muito, me irritaram, me deixaram com raiva. Até hoje fico indignado por eu não ter feito nada.

E a história acaba assim mesmo, sem um final feliz. Mas ficou uma lição: se quisermos justiça, compreensão ou um final feliz, temos que fazer isso acontecer, sempre. Nada cai do céu, temos que fazer as pessoas entenderem, nos entenderem.

08 junho 2014

Odeio falar em público


Se minha sobrevivência dependesse da habilidade de falar em público, mais especificamente de fazer apresentações em público, eu estaria morto por inanição. 

Cada pessoa possui suas habilidades e características. Eu admiro muito quem é extrovertido, calmo, e possui boa dicção para falar bem em público e fazer boas apresentações: no trabalho, na faculdade ou uma declaração para a namorada ou esposa, por exemplo. Eu não tive essa sorte! Para começar, tenho a "língua presa". Falo igual o Ministro Guido Mantega. Mas na verdade o problema não é esse. Eu simplesmente não consigo falar bem em público! Não importa o quanto eu me esforce, treine ou o quanto sei sobre o assunto. 

Em alguns casos eu falei muito bem, mas isso acontece muito esporadicamente. Nestes casos talvez ocorra uma confluência ideal de fatores, como: tipo de público, iluminação do local, treinamento (neste caso em conjunto com os outros, ajuda), confiança, etc. E muitas dessas características simplesmente aparecem naquela hora, sem explicação aparente, sem controle.  

Mas o normal mesmo é eu falar mal em apresentações, explanações em público. Eu gaguejo, fico mudo, esqueço do conteúdo, de nomes, de palavras cotidianas, me vem uma série de pensamentos aleatórios, pulo de um assunto para outro, paro no meio de uma frase e desisto de acabá-la, e assim me canso daquilo tudo. 

É uma sensação muito ruim, porque por mais que você domine o assunto, que você saiba tudo na ponta da língua e provavelmente ninguém no auditório saiba mais sobre o assunto do que você, na hora da apresentação te dá um branco,  um nervosismo, a boca seca, as mãos ficam geladas, seu rosto fica vermelho te dá um pânico ver aquela multidão olhando para você... 

Apenas quem passou ou passa por isso, entende. Os outros dizem: "não é nada", "é só treinar que você consegue", "você melhora", "um dia isso passa", não é tão ruim assim"... Mas é! Pois mesmo que algumas vezes você consiga fazer uma boa apresentação, quando fizer uma ruim, isso pode prejudicar todas as explanações futuras. Toda a evolução que você teve até aquele momento pode vir por água abaixo.

Além de tudo isso, é muito desgastante o período anterior à data da apresentação. É muita ansiedade e agonia. 

E a impressão que você passa para o público é que não entende absolutamente nada do assunto explicado. Essa é a verdade, muitos vão te achar analfabeto, um zero à esquerda. Muitos irão pensar "é por tipos como esse que o país não vai pra frente". Nós mesmos pensamos isso muitas vezes quando assistimos uma palesta ou apresentação de alguém que "não sabia nada sobre o assunto". Talvez não deu para perceber, mas a pessoa estava muito nervosa. Se quem já sofreu com isso pode pensar assim, então imagina quem nunca passou por isso.

A solução que eu tenho para isso é muito simples. Se você fala mal em público, não fale! Cada um possui suas habilidades. Se você não possui a habilidade de falar bem em público, existe milhares de outras coisas que você pode fazer bem.

Você pode aprender e aperfeiçoar as suas habilidades de se comunicar através da escrita, por exemplo. Você pode se tornar um cientista, se especializar em áreas mais técnicas. A maioria dos grandes escritores e cientistas não possuíam habilidades de eloquência e nem por isso perderam tempo tentando se dar bem nessa área. Escreva um livro! Faça algo da sua vida que não necessite falar em público, ou fazer apresentações. Não passe sua vida lutando contra algo que te faça sofrer e que talvez não te trará o benefício necessário para compensar todo o sofrimento. Toda essa energia pode ser direcionada para algo muito mais produtivo e prazeroso. A vida é uma só, se a coragem e habilidade em falar bem na frente de muitas pessoas vier, vai vim de forma natural, não precisa vir de forma traumática.

Lógico que as pessoas não são como um "caminhão de lajota*", todas iguais. Então é óbvio que isso não se aplica para todas as pessoas que possuem problemas em falar em público. Não tenho a pretensão desses conselhos serem técnicos ou uma postagem de autoajuda. Cada pessoa deve analisar suas experiências e habilidades e escolher seus caminhos. Mas, em diversos casos a pessoa pode estar sofrendo com o efeito manada: fazer o que todos dizem que é o correto, sem questionamentos; o status quo, onde todos devem enfrentar o problema e vencê-lo. Isso seria verdade se fôssemos clones de alguém que tinha o problema, precisava vencê-lo e venceu. Nem todo mundo consegue, e nem todo mundo precisa conseguir, aliás. Como eu já falei, existe muitas outras coisas mais importantes do que falar bem em público. Não é o fim do mundo não ser bom nisso. Nem todo mundo quer ser político ou advogado, por exemplo.

Não estou falando que você não deva se esforçar para vencer o medo, e a timidez, e o pânico de falar em público. Se este é seu sonho ou se você precisa disso, e se você realmente acha que vale a pena, então tente bastante, procure ajuda, treine, estude o assunto da apresentação, etc.

Mas no caso de ser como eu, de não conseguir falar bem em público mesmo com muitos anos de esforço, com muito sofrimento, e se você também acha que isso tudo não vale a pena, então simplesmente mude de estratégia. Pare de se esforçar em algo que pode não funcionar e que está te fazendo mais mal do que bem, e invista em algo mais produtivo. 

Agora, nas situações em que você não tem escolha, se deve apresentar o TCC, por exemplo, ou um trabalho de faculdade, aí não tem jeito. No caso do TCC é mais tranquilo, é só não divulgar a data da apresentação ou fazer como uma amiga minha, que pediu para ninguém ir na apresentação dela, senão ela ficaria nervosa e a atrapalharia; todo mundo entendeu, até porque praticamente todo mundo sofre nestas apresentações de monografia. 

Em uma outra situação, eu e outra amiga de faculdade pensamos em nos embriagar para apresentar um trabalho para a turma. Pesquisamos diversos medicamentos também, que poderiam nos deixar mais calmos, e nos ajudar na apresentação, mas desistimos da ideia. Concluímos que seria pior. Foi engraçado, mas fizemos bem em não tomar nada, colocaríamos nossa saúde em risco por algo que não valia a pena. Porém, isso demonstra o tamanho do desespero que passamos. No fim fizemos a apresentação. A minha parte foi como sempre muito ruim, passei muita vergonha, mas no final estávamos aliviados e felizes por tudo ter terminado.

Então essa é minha história e conselho sinceros, que não devem ser seguidos por ninguém, porém analisados criticamente e somados às experiencias pessoais de cada um.

*Obs.: Tomem cuidado com estes cursos para falar bem em público, e outros tipos de "autoajudas", eles tratam todos como caminhões de lajota...

Imagem utilizada do blog jkbloco

04 junho 2014

Piadas Inteligentes, Parte II

Digite no Google "piadas inteligentes" e você vai encontrar qualquer coisa menos piadas inteligentes. Por isso, resolvi fazer uma série de postagens com as piadas mais inteligentes e divertidas que conheço, a maioria delas são de um livrinho de filosofia explicada com piadas chamado Platão e Um Ornitorrinco Entram Num Bar... Se você não achar graça nas piadas, leia de novo, porque provavelmente não entendeu! Veja a parte I aqui.

Ele: Você iria para a cama comigo por um milhão de dólares?
Ela: Um milhão de dólares? Nossa! Acho que sim.
Ele: E por 2 dólares?
Ela: Se manda, cara! O que você acha que eu sou?
Ele: Isso já está claro. Agora estamos discutindo o preço.

Um francês entra num bar. Tem um papagaio vestido de smoking no ombro. O barman diz:
- Nossa, que beleza. Onde conseguiu isso? 
O papagaio responde: 
- Na frança. Lá tem milhões de sujeitos iguais a este.

Uma loira está sentada ao lado de um advogado num avião.
O advogado fica insistindo que ela jogue com ele para verem quem tem mais conhecimentos gerais.
Por fim, diz que oferece a ela uma vantagem de dez para um. Toda vez que ela não souber a resposta para uma pergunta dele, ela paga cinco dólares. Toda vez que ele não souber a resposta para uma pergunta dela, ele paga cinquenta dólares.
Ela concorda em jogar e ele pergunta:
- Qual a distância entre a Terra e a estrela mais próxima?
Ela não diz nada, simplesmente entrega para ele uma nota de cinco dólares.
Ela pergunta:
- O que sobe uma montanha com três pernas e desce de quatro?
Ele pensa um longo tempo, mas acaba admitindo que não faz a menor ideia. E entrega a ela uma nota de cinquenta dólares.
A loira guarda o dinheiro na bolsa sem comentários.
O advogado diz:
- Espere aí. Qual a resposta para a sua pergunta?
Sem dizer uma palavra, ela entrega para ele uma nota de cinco dólares.

Norman começou a ficar ofegante quando viu o médico.
- Tenho certeza de que estou doente do fígado.
- Ridículo - disse o médico. - Você nunca saberia se tivesse doença do fígado
porque não há nenhum desconforto.
- Exatamente! - disse Norman. - É esse o meu sintoma.

Três amigos morrem em um acidente de carro e 
se encontram numa sessão de orientação no Céu
O moderador celestial pergunta o que eles mais gostariam
de ouvir a respeito de si mesmos quando os amigos e parentes
os vissem no caixão.
O primeiro disse:
- Espero que as pessoas digam que eu era um ótimo médico
 e um bom pai de família.
O segundo disse:
- Gostaria que as pessoas dissessem que como
professor eu dei uma grande contribuição à vida das crianças.
O terceiro disse:
- Gostaria de ouvir alguém dizendo: "Olhem, eles está se mexendo!"

Os judeus não reconhecem Jesus.
Os protestantes não reconhecem o Papa.
Os batistas não se reconhecem um ao outro na loja de bebidas.

Jesus estava andando na rua quando viu uma multidão atirando pedras numa adúltera.
Jesus disse:
- Aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra.
De repente, uma pedra voou no ar. Jesus virou e disse:
- Mãe?

20 dezembro 2011

O mistério da "Placa"

Eu moro em uma cidade pequena, e como toda cidade pequena aqui também há poucas opções de lazer e diversão. Mas isso nunca foi um empecilho para nossa criatividade e senso de aventura. Para sanar essa falta de diversão e aventura eu e meus amigos (e amigas) usávamos a criatividade e inventávamos alguma coisa para fazer. 

Andar de bicicleta sempre foi uma boa opção. Enquanto a ideia corrente de diversão era, e ainda é, beber com os amigos em algum barzinho, nós nos rebelávamos contra esse senso comum e saíamos atrás de aventura, boas histórias e muitas risadas.

Á noite subíamos em um lugar que apelidamos de Morro. Era uma colina com gramado, algumas belas árvores e grande rochas. No começo subíamos porque era um lugar muito bonito, tanto de dia quanto à noite. Depois começamos substituir outras atividades pelo prazer de estar lá. A liberdade que tínhamos no Morro era única. Fazíamos o que a gente bem entendesse: podíamos brincar de verdade ou consequência, fazer uma fogueira para contar histórias arrepiantes, ter aquelas boas conversas entre amigos, contar histórias, discutir assuntos, ter uma noite romântica com nossas ficantes, e até ouvir música, tudo isso vendo a lua nascer e observando as luzes da cidade logo abaixo. 

O que me traz um tipo de nostalgia é a lembrança daquelas noites quentes, a lua cheia, os amigos, aquele mar de luzes da cidade lá em baixo, aquele vento soprando constante, as estrelas acima... pra mim era um sentimento de alegria por estar ali e de contemplação.

Durante nossas subidas no Morro e nossas "voltas" de bicicleta pela estradinha, que passa logo abaixo dele, nós começamos observar um tipo de estrutura no horizonte, à Leste. Ficamos intrigados com o que seria aquilo. Começamos a especular: poderia ser uma "placa" daquelas que passam por cima das estradas, um tipo de silo para estocagem de grãos... "o que poderia ser?".

Mas sem um binóculo ou algo do tipo ficava difícil distinguir o que era aquilo. Então, durante a graduação em Ciências Biológica, emprestei de uma colega da faculdade o seu binóculo. A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi ir até a Estradinha para observar aquela estrutura mais de perto que, à olho nu, parecia ser uma placa, por isso apelidei-a de "A Placa". 

Com o binóculo foi possível observar que a estrutura não é plana como uma placa, ela parecia ter quatro pilares enrolados por duas faixas. 

Nessa época eu e meu amigo Elizandro discutíamos muito a respeito da "Placa" e chegamos até a fazer uma aposta: eu disse que era um tipo de placa, e ele apostou que era qualquer coisa menos uma placa. Eu sei, eu sei. Foi uma aposta muito injusta. Mas estava valendo apenas R$ 1,00 e o meu objetivo era arranjar um incentivo para descobrirmos o que era aquilo. 

A aposta ocorreu a mais ou menos 7 anos e a Placa ainda está lá, do mesmo jeito! Assim como a aposta!

Alguns meses atrás, quando o Elizandro veio passar uma semana em Capanema, nós voltamos a falar sobre a "Placa", quando estávamos passando pela Estradinha. Mas dessa vez eu estava com uma câmera super zoom, que utilizo para fotografar pássaros. Dessa forma eu registrei a Placa e posso colocar no blog para todos opinarem. 

Mas meu plano é estimar a distância e o local da Placa e pegar a moto e desvendar este mistério; e claro, ganhar ou pagar R$ 1,00 da aposta.

Foto: A "Placa". Arquivo Pessoal

O que é isso? Foto: "A Placa". Arquivo Pessoal

Ps: Eu sei que a "Placa" provavelmente é alguma estrutura trivial, com a única diferença que está sendo vista de um ângulo e distância que causam um tipo de distorção, de ilusão de ótica. Mas, mesmo assim, seria muito interessante descobrir o que realmente ela é. 

18 outubro 2011

Porque rezar, rezar pra quê?

Eu não rezo. Muitas pessoas ficarão indignadas e não continuarão a ler este post. Eu estou acostumado com isso e acho muita covardia e desonestidade intelectual. Como alguém pode ficar com medo de ler, ouvir ou pensar algo simplesmente porque vai contra suas convicções? Mas mesmo que você discorde de minha posição, tente ler a postagem até o final para depois tirar suas próprias conclusões.

Eu não rezo por muitos motivos, alguns complexos, outros bem simples. Primeiro, eu não rezo porque rezar é algo extremamente egoísta. Sim, é egoísta. Pense bem: a maioria das pessoas, que conheço e que vejo na cultura geral, (filmes, seriados, literatura etc.) rezam para conseguir se auto realizarem. Rezam para conseguir uma geladeira nova, uma promoção no emprego, ir bem em uma prova etc.. As vezes os pedidos são muito banais, as vezes um pouco mais complexos, as vezes são altruístas mas na grande maioria das vezes é algo muito egoísta.

Eu fico refletindo: porque alguém deve pensar que Deus vai ajudá-la a comprar uma geladeira nova enquanto não ajuda milhares de crianças que estão morrendo de fome na África? Ou porque ele ajudaria você a conseguir um bom emprego ou a comprar um tênis da Nike, ao invés de acabar com a guerra civil na Somália? E ainda há a possibilidade de não existir nenhum deus para nos ajudar. E mesmo que exista o que leva as pessoas a pensarem que ele fica de olho em nós, ajudando uns e deixando à própria sorte outros?

Alguns dias atrás vários jornais noticiaram uma história trágica. Um rapaz percorrendo uma estrada em Chapecó sofreu um acidente e ficou desaparecido por 5 dias. Um grupo de estudantes que passava no local viu o rapaz e acionou o corpo de bombeiros. Incrivelmente o rapaz ainda estava vivo. Ele teve um braço amputado e está em coma. Mas o curioso é a família declarar que foi um milagre ele ainda estar vivo. Disseram que ele tinha uma medalhinha da Nossa Senhora Aparecida e foi encontrado no dia 12, dia dessa santa. A noticia pode ser lida clicando aqui.

Eu fico impressionado com a suspensão da racionalidade que ocorre nas pessoas quando o assunto é religião. Porque a santa não evitou o acidente ao invés de socorre-lo 5 dias depois? Porque ela não fez com que alguém ajudasse antes?

Quando ocorre alguma tragédia e morre muita gente, como o 11 de Setembro é normal haver sobreviventes. Mas sempre se fala em milagre. "Foi um milagre que fulano ou sicrano sobreviveu", "rezei o tempo todo e saí com vida", "Deus me salvou". Será que ninguém pensa nos muitos que morreram? Quem sobreviveu foi o escolhido por Deus? Nesses casos todo sobrevivente se acha especial, se acha o escolhido. Nunca pensam que pode ter sido um golpe de sorte apenas? Simplesmente os sobreviventes estavam no lugar certo no momento certo, o que ajudou-o a sobreviver. Com tanta gente em tanto lugar é óbvio que alguém vai estar no lugar certo naquele momento; é uma questão de estatística!



     Fé. Não tão eficiente quanto 2 polegadas de vidro à prova de balas.

Eu sei quais são as tentativas de "explicações" que as pessoas dão. Elas dizem que Deus não interfere no livre arbítrio, mas sim ajuda quem merece. Dizem que foi o homem que "escolheu" comer da fruta proibida... Essas explicações são simplesmente insanas.

Se Deus é todo poderoso, sabe tudo e está em todos os lugares então antes de fazer o universo e fazer o homem ele saberia que nós iríamos comer da fruta proibida e assim viver em um mundo de sofrimento. Então, dessa forma, é como se ele quisesse que fosse assim!

Para começar a definição de Deus não deixa margem para explicações. Porque ele sendo onisciente, onipotente e onipresente faz tudo ser direta ou indiretamente controlado, pensado e projetado por Ele. Sendo assim, eu acho, que se existe algum tipo de Deus ele é muito cruel!

Mesmo que alguém argumente que a felicidade extrema será após a morte, mesmo assim as coisas poderiam ser diferentes. Se eu fosse um Deus eu faria do mundo um lugar sem tanto sofrimento. Eu nunca iria punir alguém simplesmente por usar sua inteligência e não acreditar em mim (se eu fosse Deus). E nunca deixaria de alimentar uma pobre criança para dar milhões para algum banqueiro ou político... Mas é lógico que todas essas coisas não tem nada a ver com deus algum, tem a ver com política, desigualdade social, história, etc.

Se eu visse qualquer crueldade e tivesse o poder de evita-la, certamente eu faria! Eu nunca pensaria em deixar outra pessoa sofrer para "aprender" alguma lição ou qualquer outro motivo. A omissão também é um crime! É pior do que quando não temos o poder de interceder. Se Deus tem o poder de interceder porque ele é omisso?

Eu descobri que as pessoas simplesmente não pensam quando o assunto é fé. Para qualquer outra coisa nossa inteligência pode ser aguçada. Mas quando entramos no quesito religião tudo fica confuso, irracional.

Vou parar de escrever e deixar o leitor pensar sozinho. Pense, pense, pense...

23 setembro 2011

A soma da felicidade

No geral, para qualquer pessoa que tenha muito pouco, em relação a bens materiais, qualquer pouco pode lhe fazer feliz. Já, no geral, para quem tem muito, é necessário muito mais, do que a primeira pessoa, para lhe fazer feliz. 

Isso é uma psicologia bem difundida. Nós somos assim. Quando eu era criança, qualquer coisa que ganhava ficava extremamente feliz, pois não tínhamos muito. Quando nossa situação melhorou um pouco, já fiquei mais exigente... Uma pequena diferença aconteceu comigo, que mesmo melhorando um pouco de vida, continuei dando valor para as coisas mais simples, talvez uma herança daqueles tempos. 

Mas, voltando ao assunto, a mesma analogia se faz para coisas não materiais, coisas mais abstratas, como sentimentos, momentos difíceis causados por transtornos diversos em relação, por exemplo, ao trabalho, estudo, saúde ou relacionamentos. Em uma fase ruim da nossa vida, qualquer boa notícia pode trazer maior felicidade do que se estivéssemos em um bom momento. Acho que isso é verdade para a maioria das pessoas. Mas será mesmo?

Pode ser que a pessoa seria mais feliz quando recebesse uma boa notícia em um bom momento de sua vida. Aliás, essa é a minha teoria.

Mas será que podemos medir isso? Medir a felicidade? Você pode argumentar, corretamente, que é difícil medir a felicidade de alguém, que é algo muito complexo, que depende de cada pessoa, e nesse caso depende do tipo de notícia que a pessoa iria receber, etc.

Vamos utilizar, como dito antes, uma notícia boa como uma variável. Supomos que essa notícia seja a mesma e que a pessoa também, apenas a fase da vida dela será diferente (uma ruim e uma boa). E supomos que fizemos esta medição com milhares de pessoas e tiramos uma média da felicidade global de todos, nos dois momentos: um momento ruim e um momento bom na vida desta pessoa. Então, em qual momento esta pessoa seria mais feliz?

O motivo de eu ter essa teoria é o seguinte: Felicidade momentânea causada por uma notícia boa em um momento ruim vai apenas amenizar a tristeza (ou falta de felicidade) em que esta pessoa está passando. Se somarmos a felicidade positiva (da notícia) com a negativa (do momento ruim) então boa parte da felicidade se anula. Já no momento bom, se somarmos a felicidade da notícia (positiva), que neste caso é menor em amplitude (porque no momento ruim a boa notícia faz a felicidade ser maior, como foi discutido anteriormente) com a felicidade (positiva) do momento, as duas felicidades se somam. Mas será que a amplitude da felicidade da notícia no momento ruim não compensa? Não sei. Por isso que falei que é a minha teoria. Seria necessário realizar o teste proposto anteriormente e achar um jeito confiável de medir a felicidade em cada situação para termos certeza.

Mas mesmo assim, o Intituto Gallup fez uma pesquisa constituída de entrevistas realizadas entre 2005 e 2009 e concluiu que o Brasil é o 12º país mais feliz do mundo.

Primeiro eles pediram aos voluntários para analisar sobre a satisfação geral com suas vidas e, em seguida, fizeram perguntas sobre como cada sujeito se sentiu no dia anterior. As perguntas levavam a classificar os entrevistados em três graus de satisfação, indo da felicidade ao sofrimento. As respostas permitiram aos pesquisadores avaliarem os níveis de satisfação de cada país.

Os pesquisadores "chegaram à conclusão que a resposta no que diz respeito à satisfação geral estão relacionadas com a riqueza do país. Mas, no que diz respeito ao passado recente, ela reflete mais a satisfação das necessidades psicológicas e sociais, e não necessariamente o bem estar econômico. 

Veja o ranking dos países mais felizes e os mais infelizes do mundo:

Felizes:

1º. Dinamarca (Europa)
2º. Finlândia (Europa)
3º. Noruega (Europa)
4º. Suécia (Europa)
5º. Holanda (Europa)
6º. Costa Rica (Ámerica Central)
7º. Nova Zelândia (Oceania)
8º. Canadá (Ámerica do Norte)
9º. Israel (Ásia)
10º. Suiça (Europa)
12º. Brasil (Ámerica do Sul)

Infelizes:

1º. Togo (África)
2º. Burundi (África)
3º. Comores (África)
4º. Camboja (Ásia)
5º. Serra Leoa (África)
6º. Burkina Faso (África)
7º. Ruanda (África)
8º. Níger (África)
9º. Haiti (Ámerica Central)
10º. Benin (África)

Fonte: Gallup